Estudo Semanal
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Vocação e missão ( Lc 24,46-53)

Queridos irmãos e irmãs,

O tempo Pascal que estamos vivendo com alegria é por excelência o tempo do Espírito Santo, dado "sem medida" (Jo 3,34) por Jesus crucificado e ressuscitado. Ao celebrarmos a ascensão do Senhor quarenta dias após a Páscoa, a Igreja tem o intuito pedagógico de comunicar os diversos momentos do mistério de Cristo. Estamos diante do mistério da glorificação do Ressuscitado, "sentado à direita do Pai".

E sendo Jesus Cristo que está sentado à direita do Pai, nele toda a humanidade foi introduzida no seio da Trindade. Dessa maneira, esta festa revela a altíssima vocação de toda pessoa humana: viver em Deus, participar de seu Reino eternamente. Deus é nossa origem e nossa meta definitiva.

O INÍCIO DA NOSSA MISSÃO

A glorificação de Jesus marca um tempo novo para sua comunidade. Lucas nos narra no v.28 “Vos sereis testemunhas de tudo isso”. É hora de começar a imensa tarefa que os espera, e que não devem perder um só instante. Com a Ascensão termina a missão terrena de Cristo e começa a missão dos seus discípulos, a nossa missão.

O Senhor quer que cada um, no seu lugar, continue a tarefa de santificar o mundo, para melhorá-lo e colocá-lo aos seus pés: as almas, as instituições, as famílias, a vida pública... Foi esta a oração de Jesus quando intercedeu diante de Deus Pai por nós: Não peço que os tires do mundo, do nosso ambiente, do nosso trabalho, da família..., mas que os preserves do mal  (Jo 17, 15). Porque só assim o mundo será um lugar em que se valoriza e se respeita a dignidade humana, em que se pode conviver em paz, com essa paz verdadeira que está tão ligada à união com Deus.

O zelo pelas almas é um mandamento amoroso do Senhor: ao subir para a sua glória, Ele nos envia como suas testemunhas. Grande é a nossa responsabilidade, porque ser testemunha de Cristo implica, antes de mais nada, procurar comportar-se segundo a sua doutrina, lutar para que a nossa conduta recorde Jesus e evoque a sua figura amabilíssima.

Os que convivem ou se relacionam conosco devem aperceber-se da nossa lealdade, sinceridade, alegria; temos de comportar-nos como pessoas que cumprem com retidão os seus deveres e sabem atuar como filhos de Deus nas pequenas situações de cada dia. As próprias normas da boa convivência social, que para muitos não passam de algo externo, – os cumprimentos, a cordialidade, o espírito de serviço... – devem ser fruto da caridade, manifestações de uma atitude interior de interesse pelos outros.

A CERTEZA NAS PALAVRAS DE JESUS:

“Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu” é a força que fez e faz a Igreja caminhar no meio de luzes e sombras, buscando viver sua identidade de discípula-missionária, nos diferentes cenários culturais, sociais, religiosos da história. Jesus salvou o mundo movido pelo Espírito e dando a sua vida pelos homens. Agora, nós devemos dar continuidade a esta obra, também dóceis e obedientes ao Espírito.

Assim, Jesus se encarnou a fim de nos abrir caminho para o Pai, colocando sua tenda no meio de nós e permanecendo conosco. Sua comunidade para levar adiante sua missão precisa viver sempre inserida no mundo.

Esse é o lugar da Igreja: o mundo, com seus avanços e retrocessos, com suas vitórias humanas e suas devastações de diferentes índoles. Mundo que interpela e desafia a nossa fé.

Os Apóstolos voltaram a Jerusalém em companhia de Maria. Juntamente com Ela, esperam a chegada do Espírito Santo. Sejam nossas células também uma oportunidade de vivenciarmos juntos essa bênção de Jesus bem como a missão deixada para nós. Disponhamo-nos, nestes dias, a preparar a próxima festa de Pentecostes unidos a Nossa Senhora e desejosos de também renovar em nosso viver a força do Espírito que conduz os passos da nossa Igreja.

PARA REFLETIR:

1- Quais são os apelos do mundo que mais dificultam a vivência do seu testemunho cristão?

2- De que forma, na sua vida cotidiana, você pode efetivamente melhorar o mundo em que vivemos?

3- Há alguma semelhança entre os apóstolos reunidos com Maria em Jerusalém e as nossas células?