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Viver a justiça e a misericórdia (Mt 5,1-12)

Queridos irmãos e irmãs,

Neste mês de Setembro a Igreja nos propõe o Evangelho de Mateus para estudo e oração. Seu evangelho nasce a partir da experiência de pequenas comunidades de pessoas fiéis a Jesus que estão se fortalecendo para resistir ao controle da sinagoga e do império romano e superar das fortes injustiças internas e externas sob as quais vive o povo pobre.

Para os escribas e os fariseus daquele tempo, as pessoas felizes eram aquelas que observavam a Lei e por isso recebiam de Deus a recompensa pela sua obediência. Já os pobres, por sua vez, eram considerados culpados por suas desgraças, porque a pobreza, a miséria e a esterilidade eram compreendidas como castigo de Deus para os considerados “pecadores” e “impuros”.

Jesus e as comunidades cristãs propõem uma inversão: proclamam que os vitimados pela sociedade injusta são os benditos e o critério para essa bênção é a vivência da justiça e da misericórdia. As bem-aventuranças nos apresentam um programa de vida e um convite para colaborarmos na construção do Reino de Deus.  

Felizes os pobres em espírito indica uma situação de pobreza extrema: sem recursos econômicos e sem esperanças. As pessoas simples do campo, que não conhecem a Lei ensinada na sinagoga, submetida às autoridades e sem perspectivas de saída. São felizes porque o reino chegou, “os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os doentes são curados e os pobres evangelizados” (Mt 11,5). Os pobres em espírito recebem de Deus na certeza de que tudo é pela Sua gratuidade e não como paga pelo seu merecimento.

Felizes os mansos, os que são impotentes e humilhados nas situações, e que pela confiança em Deus não fazem justiça com as próprias mãos. Felizes os aflitos, aqueles que passam por dores, violências e opressões, frutos da desigualdade social. Jesus vem estabelecer uma nova justiça que elimine toda opressão. Felizes os que têm fome e sede de justiça, aqueles que desejam uma nova prática da nova justiça, onde todos tenham o direito à terra, ao pão, aos meios necessários para sobreviver. Nestas quatro primeiras bem-aventuranças aquelas situações de injustiça econômica, social, política e religiosa.

As outras bem-aventuranças são as ações humanas onde o reinado de Deus já está presente, através da colaboração de cada pessoa. Felizes os misericordiosos – aqueles que são capazes de ter compaixão dos que sofrem situações de dor e aflição e cuja solidariedade ultrapassa as exigências da Lei. Felizes os puros de coração, os que estão comprometidos com essa nova justiça, e com a promoção de toda vida ameaçada. Felizes os que promovem a paz, em atitudes que exigem acabar com as situações de opressão e exploração dos fracos e estabelecer a igualdade. Felizes os perseguidos por causa da justiça, aqueles que assumem o projeto da justiça, perseguidos  por desafiar a ordem estabelecida.

Vivemos num outro tempo, mas a realidade social pouco é diferente. A injustiça, a desigualdade, a intolerância ainda são características marcantes da vida do nosso povo. Ainda reina uma visão que “exige” de Deus bênçãos e prosperidade como resposta aos dízimos e orações “fervorosas”. Como seu Deus fosse obrigado por nós a atender a nossa vontade, divergente do “Seja feita a vossa vontade” que Jesus nos ensinou... Felizes aqueles entre nós que se colocarem a serviço do Reino, na luta diária para restabelecer a justiça e a paz, testemunhos do amor e da misericórdia de Deus a cada dia!

PARA REFLETIR:

1-Se fôssemos nos proclamar felizes por uma das bem-aventuranças, qual delas é mais marcante em nossa vida? Qual ainda não desenvolvemos a contento?

2- Como católicos, temos nos sentido perseguidos pela prática da nossa fé? Em que situações/lugares?

3- A forma como convivemos os pobres e injustiçados é a mesma de Jesus ou se parece mais com a dos escribas e dos fariseus? Que mudança ainda precisa acontecer em nós?

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