Estudo Semanal
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Viver a Eucaristia  (Lc 9,12-17)

Queridos irmãos e irmãs,

Ao celebrar nestes dias a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, a Igreja quer recolher a riqueza de sua vida eucarística e oferecer com maior abundância a riqueza do Pão da vida, para a vida de todos. Alimentados com o pão do céu, os discípulos se tornam missionários, saindo da Missa para amar e servir.

Ao contemplar a Eucaristia, a Igreja volta seus olhos para o Céu e, ao mesmo tempo, para o mundo e três conceitos nos saltam com grande importância para a vivência verdadeira deste sacramento: o seguimento de Cristo, a comunhão e a partilha.

O seguimento de Cristo

O primeiro dos três conceitos aborda a presença de Jesus no meio das pessoas e das situações concretas do mundo. Cristo acolhe as pessoas, fala com elas, cuida delas, lhes mostra a misericórdia de Deus. E as pessoas O seguem e escutam, porque Jesus fala e age de um modo novo, com a autoridade de quem é autêntico e coerente, de quem fala e age com verdade, de quem dá a esperança que vem de Deus, que é a revelação do rosto de um Deus que é amor.

A multidão de fiéis que se congregou para a celebração desta festa nas igrejas e nas procissões poderia ser identificada com a "multidão do Evangelho", que se encaminhava para seguir o Messias. E como cada um de nós O segue? Como é que a Igreja segue Jesus? Do silêncio da Eucaristia, a partir da qual Ele nos fala, Jesus nos lembra que segui-lO significa sair de nós mesmos e fazer da nossa vida não uma posse nossa, mas um presente para ele e para os outros.

A comunhão

A comunhão surge da preocupação dos discípulos, que pediram que Jesus mandasse a multidão procurar comida e abrigo nos povoados das redondezas. A tentação de se abster de ajudar um irmão necessitado, despachando-o com um "Deus te ajude!" é comum também entre os cristãos.

A solução de Jesus, no entanto, é muito mais grandiosa. Diante da multidão faminta, Ele pede que os discípulos assentem os recém-chegados e, pouco depois, abre o coração daquelas pessoas para a partilha do pouco de cada um, a partir da qual os pães e peixes são multiplicados para todos. É um momento de profunda comunhão: a multidão, saciada pela palavra do Senhor, é agora alimentada pelo pão da sua vida. E todos ficaram satisfeitos, escreve o evangelista.

A escuta da Palavra de Deus e a alimentação com o Corpo e Sangue de Cristo nos fazem passar da condição de multidão para a condição de comunidade, do anonimato para a comunhão, e, por meio da Eucaristia, nos fazem sair do individualismo para vivermos juntos o seguimento de Cristo, a fé nele.

Surge daqui uma nova pergunta: "Como é que eu vivo a Eucaristia? Anonimamente ou como um momento de verdadeira comunhão com o Senhor, e também com os muitos irmãos e irmãs que compartilham da mesma mesa?".

A partilha

Os discípulos, diante da incapacidade dos seus meios, da pobreza do que podiam por à disposição, colocaram a sua confiança na palavra de Jesus e conseguiram alimentar a multidão imensa que estava ali à sua frente.

É somente na solidariedade, palavra malvista pelo espírito mundano, que a nossa vida será fecunda e dará frutos. Ao doar o seu corpo através da Eucaristia, Nosso Senhor nos torna participantes da "solidariedade de Deus", uma solidariedade que nunca se esgota e que não deixa de nos surpreender.

Todos os dias Jesus se dá a nós na Eucaristia, o verdadeiro alimento que sustenta a nossa vida, inclusive nos momentos em que a estrada se torna íngreme, em que os obstáculos deixam os nossos passos mais lentos.
É na Eucaristia que o pouco que temos, o pouco que somos, se compartilhado, vira riqueza, porque o poder de Deus, que é o poder do amor, desce até a nossa pobreza para transformá-la.

Nossa experiência de igreja em células nos convida a sair  da nossa "caixinha" e derrotar o medo de doar, de partilhar, de se aproximar, de amar a Deus e ao próximo: em suma, de se deixar transformar por Ele. Sejamos homens e mulheres que vivem a eucaristia no sacramento do altar e na vida de cada dia.

PARA REFLETIR:

1-Qual a importância da eucaristia na sua vida?
2-Que frutos da eucaristia são mais expressivos na sua célula: o seguimento de Cristo, a comunhão ou a partilha?
3-Qual realidade da sua vida mais precisa ser transformada pela eucaristia? Como conseguir isso?