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OBRAS DE MISERICÓRDIA CORPORAIS – VISITAR OS ENFERMOS (Mt 8, 14-15)

(O que este texto diz?)

Queridos irmãos,

A visita aos doentes não é uma obra de misericórdia que aparece citada explicitamente nos relatos bíblicos do Antigo Testamento. Esta reticência em relação aos doentes encontra explicação no conceito antigo testamentário sobre a doença, que era considerada um castigo por culpas cometidas. Esta era a opinião comum até um certo período da história do povo hebraico. Por isso, dentro dessa mentalidade, visitar os doentes era simplesmente um absurdo.

Jesus lança um novo entendimento sobre as doenças. O Deus de misericórdia não é um Deus que se vinga em castigos. Por isso a ação de Jesus revela uma dinâmica nova de proximidade e socorro. Quando Mateus usa o verbo visitar “estive doente e me visitaste” (Mt 25,36), ele o usa num sentido bem mais profundo. Sabemos que é possível fazer algo mais do que uma simples visita: os doentes podem ser ajudados e até curados. A ação de Jesus junto à sogra de Pedro tem uma narrativa breve, porém marcante e decisiva na vida daquela mulher.

Visitar os enfermos é, para nós cristãos, um empenho urgente, mais necessário do que no passado. Às vezes, a lição começa em casa, na família quando se lida com doenças prolongadas e, às vezes irreversíveis. Há situações em que nada se pode fazer senão apenas “estar” presente junto ao que sofre. Misericórdia e solidariedade é estar perto, mesmo sem entender a extensão do sofrimento, pois o pulsar e o latejar da dor é próprio só de quem está machucado.
Até quem não é cristão pode visitar os enfermos, mas o que é cristão pode fazer enquanto cristão é inimitável: a solidariedade que oferece ao doente é única – é a solidariedade cristã. É a expressão da esperança na superação do nosso mal e do mal de outros enfermos, a superação proveniente do sentido da morte e da ressurreição de Cristo. Um ateu não pode fazer tal discurso.

Os Evangelhos relatam, abundantemente, momentos em que Jesus acolhe, atende, socorre e cura os doentes. As vezes eram levados a Ele no entardecer (Mc 1,32-34); em outras pediam que Ele fosse até a casa do enfermo, como fez o oficial que pediu a cura do filho que estava morrendo (Jo, 4, 46-53).  Jesus se desdobrou em misericórdia para com os doentes. Maria, mesmo grávida, andou quilômetros para ajudar e pôr-se a serviço da idosa Isabel, sua prima, grávida de seis meses.

Os cristãos dos primeiros tempos nos deixaram o exemplo, visitando e cuidando dos doentes com carinho e humildade. Com certeza, a palavra de caridade de Cristo não passou indiferente a eles. Mesmo admitindo que a pastoral da Igreja é hoje bastante complexa, a visita e o acompanhamento aos irmãos doentes é dever particular de cada um, é testemunho de que amamos concretamente. Jesus fez ele mesmo antes de pedir dos seus atitude semelhante. Praticar a caridade de Cristo e da Igreja para com os enfermos, exige-nos cuidar dos mesmos com toda solicitude, visitando-os e confortando-os no Senhor, e socorrendo-os fraternalmente em suas necessidades. Implica inclusive em oferecer, além de recursos físicos, e terapêuticos necessários, a assistência religiosa e espiritual. Fato este que familiares estão se esquecendo e negligenciando.

PARA REFLETIR:

1-Hoje, a satisfação de Jesus em ser visitado se realiza verdadeiramente a partir do modo como agimos?

2-Que valor e consideração damos aos doentes da nossa família e da nossa comunidade? Podemos melhorar a forma como os assistimos?