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VENCENDO O CICLO DA VIOLÊNCIA (Mt 5,38-48)

Para bem situar este evangelho de Mateus precisamos entender que ele tem sua partida em Mt 5,20  “se  a justiça de vocês   não for maior que  a justiça  dos doutores da  Lei  e dos fariseus,  vocês  não  entrarão  no Reino do  Céu” e seu ponto de chegada em Mt 6,33   “ busquem em primeiro  lugar  o Reino  de  Deus  e sua  justiça” .

A novidade de Jesus:
Mateus nos apresenta aqui duas novas contraposições que mostram a novidade de Jesus em confronto com a tradição da antiga Lei. O "que foi dito" é substituído, agora, pela revelação de Jesus através de sua prática e de suas palavras. Na primeira contraposição, Jesus remove o mau espírito de vingança pela prática da bem-aventurança da mansidão. Com estas propostas Mateus busca a conversão plena de sua comunidade originária do judaísmo.

A Lei do Talião, na tradição de Israel, incitava à vingança, no caso de uma violência sofrida: "vida por vida, olho por olho, dente por dente, pé por pé, queimadura por queimadura..." (Ex 21,23-25). A Lei configurava, assim, uma cultura marcada por um espírito vingativo e cruel. O castigo igual à culpa, uma pena com que se faz o  criminoso sofrer o mesmo dano ou mal praticado.

O preceito de Jesus de não oferecer resistência ao malvado vem romper com o ciclo contínuo da violência. Contudo, embora não se responda à violência com violência, cabe aqui, questionar e denunciar os agentes da violência. À primeira vista, tem-se a impressão de que os pobres em espírito e os perseguidos por causa da  justiça nunca terão vez.  Lidos sob a ótica da burguesia, tais conselhos sugerem que  não vale a pena resistir. Acontece, porém, que esses conselhos não  são passividade,  mas estratégias para minar  a injustiça  por dentro. Os pobres nunca vencerão se empregarem  as mesmas armas  dos violentos.   Urge, portanto,  encontrar estratégias  certas  para  situações  que  se apresentam  a fim de desarmar a violência.

   Assim não só  se mina  por dentro  a injustiça,  mas  instaura-se  a  nova  justiça do  Reino (um novo modo de ver e de fazer justiça). Todavia, na última contraposição, com a novidade do amor aos inimigos, insistentemente anunciada por Jesus, é removida a antiga imagem de Deus apresentada no Primeiro Testamento como aquele que é inimigo dos inimigos do "povo eleito", e os destrói. Mentalidade que, ainda hoje, muitos que se dizem cristãos defendem, quando, por exemplo, pedem pela pena de morte.

Uma resposta diferente:
As concepções de povo eleito e de terra prometida fundamentavam a história de segregação e conflito de Israel com os demais povos. Para acabar com esse  círculo vicioso  de inimizade  e  ódio,  Jesus  apresenta  o  amor aos inimigos e a oração por eles.  O  Mestre da Justiça  foi  odiado e morto  por seus adversários.  Mesmo assim pediu ao Pai que os perdoasse.  A  resposta  madura  à  perseguição,  portanto,  é  o  amor  e  a oração (v.14). E  a  razão disso  está  no  próprio ser de  Deus  que  é  bom  para com  todos.

Um caminho de perfeição:
Mas, Jesus revela o Deus de misericórdia sem limites. O apelo de Jesus à conversão tem o sentido tanto de mudança das referências religiosas da antiga tradição de Israel como dos sentimentos pessoais. A revelação do Deus Amor abre o caminho da perfeição a todos. A compreensão de que somos todos filhos do Deus Pai e Mãe e a percepção de que seu amor é sem limites e leva à fraternidade universal, à solidariedade e à partilha, vivendo-se com alegria, tendo como meta a união e a Paz. Eis o grande caminho para se alcançar a santidade.

PARA REFLETIR:
1- Quando sofre alguma injustiça ou violência, você ainda sente o impulso do “olho por olho”, ou já se deixou transformar pela misericórdia de Deus?
2-Você é capaz de rezar pelos seus inimigos ou apenas pede a Deus que os afaste de você?

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