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Vencendo a fome no deserto - Ex 16,1-30

Deserto, na Bíblia, tem muitos significados: lugar da solidão, da tentação, da provação e da falta de tudo. Porém, deserto é, também, lugar do silêncio e discernimento, bastante propício para escutar a voz de Deus, corrigir a rota da própria caminhada e pensar uma nova organização, como povo, segundo o projeto de Deus
.
O povo, atravessando o deserto, sentia fome e murmurava contra o Senhor. O grupo da murmuração está sempre pronto a desestimular o caminho para a libertação. Sentem saudades do passado vivido no Egito. O grupo presente em Ex 15,24 reaparece com mais força e influencia toda a comunidade dos filhos de Israel.

Qual é o problema da murmuração? Aparece agora a falta de alimento e eles murmuram contra Moisés (Ex 16,3). Parece que a murmuração não seja tão verdadeira, pois na escravidão não teriam nem acesso às panelas de carne e uma alimentação abundante. (reclamam de barriga cheia). Moisés se defende afirmando “não são contra nós as vossas murmurações, é sim contra o Senhor” (Ex 16,8).

Na resposta deste problema, junto com o alimento que Deus envia para saciar a fome aparecem duas temáticas importantes: o sábado e os mandamentos. A narrativa também apresenta o fato que o maná não poderia ser acumulado de um dia para outro, pois apodreceria. Deveriam recolher somente a quantidade suficiente, Deus estaria providenciando uma alimentação farta, durante toda a travessia. Ainda esta situação se contrapõe à falta de alimento no Egito, junto com a escravidão e o povo agora tem um dia de descanso, que no Egito não existia. A questão da lei aparece aqui ligada ao sábado, ao descanso. Não é lei opressora, que escraviza, mas que liberta.

Portanto a murmuração pela falta de alimento e a questão do descanso entram no texto como ensinamento divino ao povo, para que veja que a volta ao regime de escravidão tiraria novamente deles a liberdade e a autodeterminação.
 O texto nos ensina boas lições:

1) Partilha e fraternidade: o recurso da natureza (representado no maná) é para ser usado, não abusado e estragado; é suficiente mas não objeto de ganância; caso contrário o produto apodrece. A vida será boa para todos se não existir “donos” do supérfluo.

2) Não só de trabalho vivemos: precisamos de pausas, reflexão e convívio familiar. O sábado surge como instituição de preceito,  o Homem e a natureza observam (caso do maná). A questão do sábado contrapõe o regime de escravidão do Egito, intercalando ritmos de descanso na existência. O sábado assim é visto muito mais como descanso e aproximação do Senhor do que uma obrigação. O ensinamento de Jesus nos evangelhos sobre a observância do sábado nunca cansa de mostrar este aspecto.  

3) O maná prefigura o pão do céu, Jesus: João diz: “O povo comeu o maná, mas morreu. Jesus, o verdadeiro Pão, dá a vida eterna” (Jo 6). Ele nos explica que Cristo é, realmente, indispensável para nós, para dar luz e orientação à nossa vida. Jesus nos alimenta quando ouvimos e meditamos a sua Palavra, quando participamos da Eucaristia. A participação na Eucaristia é uma das marcas da vida cristã. O povo no deserto era chamado a não acumular e nós também somos desafiados a pedir “o pão de cada dia” (no Pai Nosso), pois só haverá o pão de cada dia para todos se houver entre nós partilha, solidariedade e união.

PARA REFLETIR:

O que essa Palavra diz para a minha vida?

Quais são os alimentos que Deus nos dá hoje para animar a nossa caminhada? Estamos fazendo bom uso deles?

Como é tratada a questão do descanso que o próprio Deus quis para o seu povo? De que tipo de coisas ainda somos escravos?

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