Estudo Semanal
Home - Vida Cristã - Consciência Cristã

O tempo do julgamento(2) Mt 25, 31-46

Queridos irmãos e irmãs,    

Na semana passada refletimos sobre o modo como vivemos o tempo da “espera” da vinda do Senhor, enquanto aguardamos o seu julgamento.

Especialmente hoje, nestes tempos de crise, é importante não fechar-se em si mesmo, enterrando as próprias riquezas espirituais, intelectuais, materiais, tudo o que o Senhor nos deu, mas abrir-se, ser solidários, ter cuidado com o outro.

Este evangelho nos traz uma palavra sobre o juízo final, no qual se descreve a segunda vinda do Senhor, quando Ele julgará todos os seres humanos, vivos e mortos. A imagem usada pelo evangelista é a do pastor que separa as ovelhas dos cabritos. À direita são colocados aqueles que agiram de acordo com a vontade de Deus, socorrendo o próximo faminto, com sede, estrangeiro, nú, doente, preso enquanto à esquerda vão aqueles que não socorreram o próximo.

O socorro cristão deve brotar do amor

Não somos uma ONG, mas discípulos de Jesus, enviados por Ele e enviados ao mesmo tempo pelo Pai. E é “no coração do Pai” que começa o amor. Nós, mulheres e homens de Igreja, fazemos parte de uma história de amor: cada um de nós é um elo desta cadeia de amor. E se nós não entendemos isso, não entendemos nada do que seja a Igreja seguidora de Jesus.

Lembremos do canto: “onde reina o amor e a caridade Deus aí está”. É a presença de Deus que nos anima mesmo quando o mundo tenta nos fechar no individualismo, ofuscando nossos olhos para as realidades que nos cercam. O caminho que Jesus quis para a sua Igreja nunca foi o caminho dos confortos, mas é o caminho das dificuldades, o caminho da partilha, o caminho da cruz, o caminho da perseguição, mas também o caminho que nos leva a participar da sua glória.

Seremos julgados por Deus sobre a caridade, sobre como O amamos nos nossos irmãos, especialmente nos mais frágeis e necessitados. É claro, devemos sempre ter em mente que somos salvos pela graça, por um ato de amor gratuito de Deus que sempre nos precede; sozinhos, não podemos fazer nada. A fé é principalmente um dom que nós recebemos. Mas para dar frutos, a graça de Deus requer sempre a nossa resposta livre e concreta. Cristo vem para levar-nos à misericórdia de Deus que salva. O único que nos é pedido é confiar Nele, corresponder ao dom do seu amor com uma vida boa, feita de ações animadas pela fé e pelo amor.

Uma igreja servidora

Nossa caminhada como igreja em células nos tem levado a refletir sobre o serviço ao irmão como uma porta de entrada para o relacionamento e, sobretudo, para revelarmos a presença de Jesus.  Não são nossos discursos que convencem, que aproximam, é antes de tudo a nossa ação concreta que fala mais alto: a nossa capacidade de escuta, de acolher, o nosso serviço na hora da necessidade, o tempo que doamos, a mão que estendemos, a visita que fazemos ao acamado, o pão que repartimos com os famintos...

É o caminho do amor – da caridade-  o caminho seguro e certo que a Igreja pode percorrer e onde pode fortificar-se. Ela não cresce com a força humana, cresce “como a semente de mostarda, cresce como o fermento na farinha, sem ruído” como disse Jesus Cristo. Assim também poderão crescer as nossas células: no silêncio operante de cada um de nós que serve o irmão e o faz descobrir o abraço amigo de Jesus.

Olhar para o juízo final não nos leve a ter medo; mas nos leve a viver melhor o presente. Deus nos oferece, com misericórdia e paciência, este tempo para que aprendamos a reconhecê-lo a cada dia nos pobres e nos pequenos, nos comprometamos pelo bem e sejamos vigilantes na oração e no amor. O Senhor, no final da nossa existência e da história, possa reconhecer-nos como servos bons e fieis.

PARA REFLETIR:

1- Falar em juizo final nos faz ter medo e estagnar na caminhada ou nos leva a agir segundo a vontade de Deus?
2-Que mudanças práticas a vivência em células trouxe para sua vida no que se refere ao serviço aos irmãos?
3-O que você precisa melhorar para servir melhor a Jesus que habita nos seus irmãos?