Estudo Semanal
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O TEMPO DA ESPERA (1) - Mt 25,14-30

Queridos irmãos e irmãs,

A história humana começa com a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus e conclui com o juízo final de Cristo. No Credo professamos que Jesus "virá novamente na glória para julgar os vivos e os mortos". Muitas vezes esquecemos estes dois polos da história e, sobretudo, a fé no retorno de Cristo e no juízo final, às vezes não é assim tão clara e forte no coração dos cristãos.

Jesus, durante sua vida pública, refletiu muitas vezes na realidade da sua última vinda (ver Mt 24 e 25). Com sua Ascensão, o Filho de Deus levou para junto do Pai a nossa humanidade assumida por Ele e quer atrair todos a si, chamar todo o mundo para ser acolhido nos braços abertos de Deus, para que no final da história, toda a realidade seja entregue ao Pai. Há, no entanto, este "tempo imediato" entre a primeira vinda de Cristo e a última, que é precisamente o momento que estamos vivendo.

1.Quem não usa seus talentos, perde-os; quem os usa, vê sua multiplicação.

A parábola dos talentos nos faz refletir sobre a relação entre como empregamos os dons recebidos por Deus e o seu retorno, onde nos pedirá contas de como os temos utilizado (cf. Mt 25, 14-30). Um cristão que se fecha em si mesmo, que esconde tudo o que o Senhor lhe deu é um “não  cristão”! É um cristão que não agradece a Deus por tudo o que Ele lhe deu! Isso nos diz que a espera da volta do Senhor é o tempo da ação – nós estamos no tempo da ação, o tempo de frutificar os dons de Deus, não para nós mesmos, mas para Ele, para a Igreja, para os outros; o tempo de fazer sempre crescer o bem no mundo. Não enterrem os talentos! Apostem em grandes ideais, aqueles ideais que ampliam o coração, aqueles ideais de serviço que farão frutificar os seus talentos. A vida não nos foi dada para a conservarmos cuidadosamente para nós mesmos, mas nos foi dada para que a entreguemos.

No versículo 28 deste texto lemos: "Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez talentos". Ou seja, se eu e você agirmos com negligência diante da obra do Pai, certamente Ele colocará nossos talentos nas mãos de outro que demonstre disposição para executar a tarefa Divina. No entanto, lembremos da advertência de Jesus: "Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus" (Lucas 9,62).

2. Deus não exige de nós nada além daquilo que podemos.

No versículo 15, lemos que aquele homem distribuiu os talentos "a cada um segundo a sua capacidade". Ou seja, conhecendo do que você é capaz, Deus nunca vai lhe impor jugos impossíveis de se carregar. No entanto, é bom lembrar que para Deus não colam as desculpas esfarrapadas que por vezes apresentamos objetivando fugir do que vemos que precisa ser feito. Como nosso Criador, Ele conhece a nossa estrutura, nosso potencial, nossos limites.

3. Deus só quer que você seja você mesmo, sem comparação com ninguém.

Por isso nos dotou com a individualidade, subjetividade, pessoalidade, personalidade. Seja você mesmo, sem comparação e sem imitação. Ou melhor, se é para imitar alguém, que esse alguém seja Cristo.

Deixe essa coisa de autocomiseração, pensamentos do tipo "fulano canta melhor do que eu", "sicrano prega melhor do que eu", "beltrano fala com mais eloquência que eu"…

Todo investimento comporta um risco, mas Deus gosta de gente que se arrisca, e não de gente “monumento”, parada o tempo todo na mesma posição. O tempo presente é o espaço que Deus nos dá para fazermos os nossos investimentos, com as riquezas de graças, dons, capacidades, pessoas… quantas bençãos intermináveis que recebemos!

Que Deus nos abençoe e nos ajude nessa caminhada rumo à prestação de contas final.

PARA REFLETIR:

 1- Você reconhece os talentos que Deus lhes deu? Como os coloca ao serviço dos outros?

2- Que outras lições podemos tirar para a nossa vida?