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SERVIR O PRÓXIMO (Lc 16,19-31)

Queridos irmãos e irmãs,

Os contos, os “causos” e as parábolas são narrativas envolventes que nos trazem ensinamentos extraídos da vida cotidiana. Cada pessoa, de acordo com a sua realidade, ouve a história e a aplica para a sua vida. No tempo de Jesus e das comunidades cristãs, era muito comum o ensinamento em parábolas. Ouçamos, com o coração, um antigo conto judaico:
“Uma vez um judeu rico e religioso, mas avarento, foi visitado por um rabi. O visitante, com todas as atenções, levou-o à janela. “Olhe lá para fora”, disse ele. O rico olhou para a rua. “Que vê?”, perguntou o rabi. “Vejo homens, mulheres e crianças”, respondeu o rico. De novo e muito atenciosamente, o rabi levou-o até junto dum espelho. “Amigo, o que vê agora?” “Agora vejo-me a mim mesmo”, respondeu o rico. “Tome nota”, disse o rabi, “na janela há vidro e no espelho há também vidro, mas o vidro do espelho é prateado”. Uma lição se aprende: logo que o homem junta prata, ele deixa de ver os outros para só ver a si mesmo.”

Uma história muito antiga, mas que pode traduzir a realidade de muitas pessoas cristãs, que se fecham diante das necessidades de seus semelhantes. Esse problema vem de longe; desde o século I, ouvimos a seguinte advertência: “Se alguém possui riquezas neste mundo e vê o irmão passando necessidade, mas fecha o coração diante dele, como pode estar nele o amor de Deus?” (1Jo 3,17). Uma camada de prata pode nos levar ao fechamento, tornando-nos individualistas, distante de Deus, das pessoas e de nós mesmos.

O contraste

Na parábola do homem rico e de Lázaro há duas partes, a primeira apresenta o contraste entre o rico e o pobre (Lc 16,19-23); a segunda, o diálogo entre o rico e o pai, Abraão (Lc 16,24-31).

A narrativa descreve o modo de vida de dois homens. O rico está revestido de púrpura e de linho fino, o que era próprio dos trajes reais, e cotidianamente se banqueteia; o pobre, ao contrário, está coberto de úlceras e passa fome. O rico permanece no anonimato e o pobre é chamado pelo nome Lázaro, cujo sentido pode ser “Deus socorre” ou “Deus ajuda”. O nome Lázaro resume a narrativa: o pobre desprezado nesta vida conta com a ajuda de Deus.

Por que o rico sofre num lugar de tormentos?

Não há acusações morais contra o rico, ao contrário, ele é tratado de maneira terna: é chamado de “filho” (Lc 16,25). O seu erro foi a falta de solidariedade e sua indiferença para com os pobres: “quando deres uma festa, chama os pobres, estropiados, coxos, cegos, feliz serás, então, porque eles não têm com que te retribuir. Serás, porém, recompensado na ressurreição dos justos” (Lc 14,13-14). O dinheiro do rico não tem utilidade na outra vida. Talvez o problema do rico seja o mau uso do dinheiro.

Diante da insistência do rico para que Lázaro seja enviado para avisar a seu pai e a seus irmãos, temos a seguinte resposta: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam”.

A Lei e os profetas com frequência insistem no amor ao próximo. Ouvimos repetidas vezes a mesma advertência na Palavra, nas homilias, em nossos estudos, nos pronunciamentos da Igreja. Portanto é necessário acolher a Palavra que é dirigida também a nós e não ficar esperando uma intervenção miraculosa. O tempo de acolhe-la é agora.

Essa parábola é um grito contra a insensibilidade diante da realidade de sofrimento e de miséria de tantas pessoas.

PARA REFLETIR:


1- De que forma você se sente tocado pelo conto de hoje e pela parábola?

2-O seu dinheiro e seus bens são ponte para se aproximar do outro ou criam um abismo entre vocês?

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