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SENTIMENTO DE PERTENÇA (Hb 10,19-25)

Queridos irmãos e irmãs,

A Igreja considera este mês de outubro como o mês missionário. Antes, no entanto de tratarmos da nossa missão, queremos refletir por que a consideramos como “nossa”, nossa missão, minha e sua; não missão de uma Igreja distante.

Através da expressão EU SOU, Jesus revela sua verdadeira identidade. Ele se sente um com o Pai e deseja envolver todas as pessoas nesta comunhão. A primeira vez que a expressão EU SOU aparece na Bíblia é no Monte Horeb, quando Deus revela a Moisés como Ele deseja ser conhecido (Ex 3,14). Revelando seu nome, Deus entra para sempre em nossa história e, em Jesus Cristo, Ele se torna um dos nossos. Segundo Bento XVI, “Aqui "nome" não é mais somente uma palavra, mas uma pessoa: o próprio Cristo... é carne de nossa carne e osso de nossos ossos. Deus tornou-se um de nós, portador de um nome e uma presença ao nosso lado em coexistência”.

Este Deus que tem nome, ao nos convidar para segui-lo, também nos chama pelo nome, valorizando algo tão significativo para nós. Pelo nome estabelecemos relações e nos tornamos conhecidos pelos outros. Recordando o nosso batismo, recebemos o nome de cristãos, ganhando uma nova identidade, pela qual somos chamados a viver o sentimento de pertença a uma comunidade, assim como os primeiros cristãos, que eram conhecidos como Seguidores do Nome (de Jesus). 

O SENTIMENTO DE PERTENCER

Não podemos pensar em “comunidade”  unicamente  em termos  de  se  viver  junto  em  uma  habitação,  ou  de  se compartilhar    refeições, orações,  ou  projetos  em  conjunto.  Estas podem ser  expressões verdadeiras de comunidade, mas comunidade é uma realidade muito mais profunda. A sua qualidade principal é o senso profundo de ser juntado por Deus.

Quando  Francisco  Xavier  viajou  sozinho  por  muitos  continentes  para  pregar  o Evangelho,  ele  encontrou  forças  no  conhecimento  absoluto  de  que  pertencia  a  uma comunidade que o apoiava com orações e com o cuidado fraternal. E muitos cristãos que demonstram  grande  perseverança  e  realizam  tarefas  difíceis  sozinhos,  encontram  sua força em um laço profundo com a sua comunidade.

Aqui tocamos uma das áreas mais críticas da vida cristã atual. Muitos cristãos bastante generosos  se  encontram  em  cansaço  e  desânimo progressivos,  não  tanto  porque  o trabalho seja  difícil  ou  o  sucesso  seja  transitório,  mas  porque  se  sentem  isolados,  sem apoio e abandonados. Somos  capazes  de  realizar  muitas  coisas  difíceis,  tolerar  muitos  conflitos,  transpor muitos obstáculos, e perseverar sob muitas pressões, mas quando não mais sentimos que fazemos parte de uma comunidade que nos cuida, nos  apoia, que ora por nós, podemos perder a fé rapidamente. Isto ocorre porque para testemunhar a presença compassiva de Deus a fé precisa ser alimentada pelo recebimento da presença de Deus através comunidade à qual nós  pertencemos. 

PERTENCER GERA ATITUDES

O sentimento de pertença tem duas faces: ao pertencermos a uma comunidade recebemos dela a oração, a partilha, a presença, o cuidado, o amor, o zelo e tudo mais que esta outra família pode nos dar. Mas na outra face, somos nós que devemos dar a ela a nossa participação, o nosso cuidado, o nosso empenho, o nosso sacrifício e, sobretudo, a garantia da nossa presença.

Sem um  relacionamento  vital  com  uma  comunidade,  um relacionamento vital com Cristo é quase impossível. Nesse espírito comunitário entendemos a missão como “nossa”: não só minha, nem só sua, mas de todos nós que pertencemos a Deus.
O pertencer aos chamados por Deus torna-se fonte de atitudes, pois o cristão, ao identificar-se com um grupo concreto, atua de acordo com os modelos propostos que ele anteriormente aceitou – o modelo do Deus trinitário, do Deus comunhão, do Deus que vive junto!

PARA REFLETIR:

1- Você tem esse sentimento de pertença à sua comunidade, à sua célula?

2- Quando um de nós nega sua presença nos encontros, eventos ou atividades, como fica a consideração pelo outro que conta conosco?

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