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O sentido cristão da morte (Mc 13,32-37)

Queridos irmãos e irmãs,

Nesta semana que precede a comemoração de finados, queremos refletir sobre o sentido da morte, a partir da nossa fé cristã, do nosso morrer e do nosso ressuscitar em Jesus Cristo.

Existe entre a maioria das pessoas um medo e um modo equivocado de considerar a morte. A morte diz respeito a todos e questiona-nos de modo profundo, especialmente quando nos toca de perto, ou quando atinge os pequeninos, os indefesos, de uma maneira que nos parece escandalosa e injusta. Há sempre uma pergunta no ar: por que as crianças sofrem, por que pessoas boas morrem? Se for entendida como o fim de tudo, a morte assusta, aterroriza, transforma-se em ameaça que interrompe qualquer relacionamento e qualquer caminho. Isto acontece quando consideramos a nossa vida como um tempo encerrado entre dois polos: o nascimento e a morte; quando não cremos num horizonte que vai além da vida presente; quando vivemos como se Deus não existisse.

Este conceito de morte é típico do pensamento ateu, que interpreta a existência como um achar-se no mundo por acaso, num caminhar rumo ao nada. Mas existe também um ateísmo prático, que é um viver só para os próprios interesses, para as coisas terrenas. Se nos deixarmos arrebatar por esta visão equivocada da vida, não teremos outra escolha, a não ser aquela de ocultar a morte, de negá-la e banaliza-la, para que não nos amedronte. Mas esta solução falsa não satisfaz o coração do homem no desejo que todos nós temos de infinito, na nostalgia que todos nós temos do eterno.

Se considerarmos os momentos mais dolorosos da nossa vida, quando perdemos uma pessoa querida — os pais, um irmão, uma irmã, um cônjuge, um filho, um amigo — compreenderemos que, até no drama da perda, também dilacerados pela separação, brota do coração a convicção de que não pode ser que tudo acabou, que o bem dado e recebido não foi inútil. Há um instinto poderoso dentro de nós, que nos diz que a nossa vida não acaba com a morte.

Esta sede de vida encontrou a sua resposta real e fiável na Ressurreição de Jesus Cristo. A Ressurreição de Jesus não confere apenas a certeza da vida além da morte, mas ilumina também o próprio mistério da morte de cada um de nós. Se vivermos unidos a Jesus, se formos fiéis a Ele, seremos capazes de enfrentar com esperança e serenidade também a passagem da morte. Uma pessoa tende a morrer como viveu. Se a minha vida foi um caminho com o Senhor, um caminho de confiança na sua misericórdia infinita, estarei preparado para aceitar o momento derradeiro da minha existência terrena como o definitivo abandono confiante nas Suas mãos acolhedoras. A espera vigilante de quem deseja um dia contemplar o seu rosto face a face, repleto de luz, cheio de amor e de ternura. 

Neste horizonte compreende-se o convite de Jesus a estar sempre pronto e vigilante, consciente de que a vida neste mundo nos é concedida também para preparar a outra vida, com o Pai celestial. E para isto existe um caminho seguro: preparar-se bem para a morte, permanecendo próximo de Jesus nesta vida, mediante a oração, os Sacramentos e também na prática da caridade. Recordemos que Ele está presente nos mais frágeis e necessitados. Portanto, uma vida segura significa recuperar o sentido da caridade cristã e da partilha fraterna, cuidar das chagas corporais e espirituais do nosso próximo. Se abrirmos a porta da nossa vida e do nosso coração aos irmãos mais pequeninos, então também a nossa morte se tornará uma porta que nos introduzirá no céu para permanecer para sempre com o nosso Pai, Deus, com Jesus, com Nossa Senhora e com os santos.

PARA REFLETIR:

1- Qual o sentido da morte para você?

2- Seu modo de viver te mantém próximo de Jesus, através dos sacramentos, da oração, das práticas de caridade?

3- O que você mudaria na sua vida a partir de agora se soubesse que se aproxima o tempo da sua morte?