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Senhor, quando foi que te vimos? (Mt 25,41-46)

Queridos irmãos e irmãs,

Passo a passo queremos fazer com que o tempo da quaresma modele o nosso coração à semelhança do coração de Jesus. O caminho de volta para Deus significa tornarmo-nos capazes de enxergar o que Ele deseja e espera de nós no dia a dia da vida.

Não se trata apenas de um sentimento, de uma ação do coração. Voltar para Deus implica ações, atitudes concretas a favor da vida e dos irmãos. Quem diz que ama a Deus e não ama seu irmão é mentiroso (1Jo 4,19).

Vemos com muita clareza, no Evangelho, que Jesus se identifica com os mais sofridos: famintos, nus, presos, peregrinos, injustiçados, etc. Por isso, quem acolhe e ampara, acolhe e ampara o próprio Jesus. Deus quer ser reconhecido nos mais sofridos para que haja maior justiça e fraternidade no mundo. O amor de Deus passa necessariamente pelo amor aos irmãos mais sofridos. Infelizmente, nossa sociedade, em muitos sentidos, caminha à margem do Evangelho. Convivem, lado a lado, tecnologia de ponta e exploração de mão de obra das mais antigas.

É bem verdade que não é fácil passar diante destes irmãos cuja dignidade foi roubada e ver neles o rosto de Cristo... Falta-nos sensibilidade, porque aprendemos a ver o Cristo a partir das pinturas, gravuras, e imagens das igrejas, porém conversão verdadeira é ver Cristo no irmão de carne e osso que vive ao nosso lado.

ESCRAVIDÃO E TRÁFICO AINDA HOJE

Sabemos que a extinção do tráfico humano e a escravidão foram abolidos no Brasil há muito tempo, mas há ainda formas de tráfico de trabalhadores, exploração de mão de obra com regimes de trabalho muito parecidos com a escravidão, exploração sexual e tantas outras formas de escravidão, que são sérias violações aos direitos humanos e à dignidade humana.

Olhemos ao nosso redor: maranhenses trabalhando nos canaviais e na construção civil em São Paulo e outros estados; imigrantes hispano-americanos trabalhando em rede de pequenas oficinas de costura, produzindo para o mercado popular e para grandes grifes, produtos que nós compramos e não temos nem ideia de que forma foram produzidos...

Aplaudimos o glamour da indústria do turismo, do entretenimento, dos grandes eventos, e não enxergamos o número imenso de jovens vulnerabilizadas  em busca de algum ganho ou ascensão social, que ingressam nos mercados informais, iludidas pelo sonho de sucesso e pelas promessas vantajosas, que acabam levando-as ao mercado da exploração do sexo, de onde dificilmente conseguem se desvencilhar por si mesmas.

Ainda que muitos destes irmãos tenham sido recrutados e aceito em liberdade a atividade proposta, também é bem verdade que a forma de aliciamento sempre vem com meias verdades, com promessas ilusórias e irreais, com enganos, mentiras, abuso de autoridade, promessas de benefícios que nunca serão oferecidos, etc. E isso acaba colocando nas mãos do explorador, pessoas fragilizadas, que se veem despidas da sua dignidade humana, verdadeiros escravos contemporâneos.

UM DESAFIO PARA CADA UM DE NÓS

Nesta quaresma a missão colocada para cada um de nós em nossa paróquia é a de ir ao encontro de uma dessas realidades, buscar Jesus na figura de um irmão que está afastado da comunidade, que está em alguma dessas situações de tráfico ou escravidão. Denunciar o explorador é uma das formas de socorro, mas a mão estendida acolhendo é a nossa forma de tocar Jesus nesta quaresma.

PARA REFLETIR:

1- Qual foi seu encontro mais recente com Jesus na figura de um irmão fragilizado? Como foi?

2- Diante do modo de vida destes nossos irmãos, há algum tipo de pensamento como: “eles  trabalham ali porque querem” ou “eles é que escolheram essa vida” ou algum outro preconceito que a Campanha da Fraternidade te leva a superar?

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