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PREPARAÇÃO PARA A VINDA DO SENHOR  (Lc 3,1-6)

Caros irmãos e irmãs,

Na caminhada do advento, deparamo-nos nesta semana com a figura de João Batista, sua vocação e sua pregação. João é o grande profeta do Antigo Testamento, aquele que prepara imediatamente a vinda do Messias e aplaina seu caminho. Sua pregação já deixa entrever a natureza da salvação oferecida pelo Messias: reconciliação com Deus, em Jesus Cristo, para a qual se exige conversão.

Somos chamados a crescer até estarmos na altura de receber Deus; mas, neste crescimento, a força que nos anima é o próprio fato de Deus se voltar para nós. O que faz um aluno crescer é a atenção que o professor lhe dedica. O que faz uma criança andar é a mão estendida de sua mãe. Por isso, nosso crescimento para a perfeição se alimenta da contemplação do Deus que vem até nós. Lucas situa no decurso da história humana o despontar do Reino de Deus, na atividade do Precursor, João Batista. Ainda não se enxerga o “Sol da Justiça”, mas seus raios já abrasam o horizonte. A perspectiva é ainda distante, mas segura: “Toda a humanidade enxergará a salvação que vem de Deus”. Para isso, João Batista prega um batismo que significa conversão, lembrando a renovação pelas águas do dilúvio, do Mar Vermelho, do Jordão atravessado por Josué.

DESIMPEDIR A CHEGADA DE DEUS

João Batista usa a imagem do aplanar o terreno, abrir uma estrada para que o Reino de Deus possa chegar sem obstáculos. É preciso “aplanar” radicalmente o caminho no coração da gente.

Por isso é preciso tirar de nosso coração todas as preocupações que possam impedir Deus de chegar até nós. Se quisermos empenhar-nos por um mundo onde Deus se sinta em casa, afastaremos alegres os obstáculos que impedem isso. Obstáculos em nosso próprio coração: egoísmo, ambiguidade, desamor...

Mas não só isso. Vale também para a sociedade. Há obstáculos no coração de nossa sociedade: estruturas injustas, desigualdades ruinosas, leis que produzem monstros de riqueza ao lado de miseráveis, política em favor só de alguns e não de todos...

Os obstáculos a serem derrubados estão em parte dentro de nós mesmos e, em parte, na estrutura de nossa sociedade. Importa trabalhar nos dois níveis, e isso, com alegria. Não com rancor, próprio dos que antes odeiam os outros (e até a si mesmos) do que amam o bem... O rancor não faz Deus chegar. O que marca quem procura experimentar a “salvação que vem de Deus” é a alegria. É uma alegria limpar o caminho para que a “Paz-da-Justiça” possa chegar, ainda que custe suor e luta.

Devemos tirar os obstáculos do homem e das estruturas que o condicionam. Renovação interior de cada um e renovação de nossa sociedade são as condições que a chegada do Reino, a médio prazo, nos impõe.

O REINO NÃO AGE SEM NÓS

Não somos nós que o fazemos, mas lhe oferecemos condições de se implantar, como um governo oferece condições a indústrias de fora para se implantar. Só que, no caso do Reino, podemos contar com os lucros do investimento... Estes lucros são “o fruto da justiça” de que Paulo fala (Fl 1,11). O Reino de Deus não vem somente pedir contas de nós; leva-nos a produzir, para nosso bem, o que Deus ama (pois ele nos ama).

O Reino já começou sua produção entre nós, desde a primeira vinda de Jesus. Porém, fica ainda para se completar. O que João pregou naquela oportunidade continua válido enquanto a obra não for completada. Somente, estamos numa situação melhor do que os ouvintes de João. Nós já podemos contemplar os frutos da justiça brotados de um verdadeiro cristianismo. Seja isso mais uma razão para dar ouvido a sua mensagem. Na medida em que transformarmos nossa existência histórica em fruto do Reino, entenderemos melhor a perspectiva que transcende nossa história, a plenitude cuja esperança celebramos em cada Advento.

Ainda dois domingos nos separam do Natal. Logo mais estaremos celebrando que Deus quer chegar até nós. Mas será que nós lhe abrimos caminho?

PARA REFLETIR:

1- Quais os caminhos que ainda precisamos abrir em nosso coração para a chegada de Jesus?
2- Qual nossa colaboração para que a sociedade assegure mais plenamente a justiça e a paz que Jesus veio nos trazer?
3- Estamos, como João Batista, apontando aos outros o caminho de Jesus, a sua verdade, a sua salvação?

 

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