Estudo Semanal
Home - Evangelização em Células - Estudo Semanal

A PRÁTICA DO PERDÃO NA COMUNIDADE (Mt 18,15-20)

Queridos irmãos e irmãs,

Não é de hoje que em nossa vida em nas nossas comunidades enfrentamos quase sempre a dificuldade de perdoar e aceitar os próprios limites como também o limite das pessoas com as quais convivemos. Perdoar é resgatar a relação com o outro quando o vínculo foi quebrado por alguma ofensa. É um processo difícil, que exige amor, desprendimento e liberdade interior. As comunidades de Mateus apresentam algumas orientações sobre a maneira de se relacionar com os membros que estão se desviando:

CORRIGIR A SÓS: Na comunidade, o vínculo que une os membros entre si é fazer a vontade do Pai: “Aquele que fizer a vontade de meu pai que está nos Céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (12,50). O cuidado recíproco é fundamental. É preciso ir ao encontro da pessoa que está se desviando e não ficar esperando de braços cruzados. Quando se trata de restabelecer as relações, não importa se o outro errou, o que importa é a atitude de acolhida e misericórdia. É sair e ir ao encontro da pessoa que errou para ajudá-la a retomar o caminho.

A atitude de corrigir o irmão em particular demonstra respeito e compreensão. Ninguém gosta de ver seus defeitos apontados na frente dos outros. Na conversa pessoal há uma grande possibilidade de a pessoa que fez a ofensa ouvir. Ouvir, neste sentido, implica a percepção do próprio limite e do arrependimento. Ganhar o irmão tem o sentido de trazê-lo de volta para o grupo, reafirmando sua caminhada e seu compromisso na comunidade.

PRESENÇA DA TESTEMUNHA: se a primeira tentativa de ir ao encontro do irmão foi em vão, a pessoa ofendida não deve desistir. Porém, na segunda vez, a recomendação é ir ao encontro na presença de duas ou três testemunhas que possam ajudar chegar à reconciliação.

A IGREJA: as possibilidades não se esgotam: é mais uma tentativa de reconciliação sem aplicar medidas punitivas. E se a pessoa ainda persistir no erro, deverá ser considerada como “gentia” ou “publicana”. Lembremos que Jesus não excluiu ninguém. Chamou um cobrador de impostos para segui-lo e comeu com os publicanos e pecadores, afirmando que “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes” (9,10). Tratar o pecador como gentio ou publicano é continuar insistindo para que ele volte a fazer parte do grupo. A missão de Jesus e nossa missão.

E a pergunta cuja resposta incomoda ouvir: “Qual o limite para perdoar o irmão?”. Jesus responde: “Não te digo até sete, mas setenta vezes sete”. Não há limites para perdoar o irmão. O perdão deve ser constante. Portanto, mesmo que as ofensas sejam numerosas, o perdão deve ser maior ainda. A solidariedade, a misericórdia, a inclusão e o compromisso com a reconciliação são exigências para as comunidades cristãs de todos os tempos.

Perdoar não é fácil, mas sabemos que o perdão é um instrumento de cura. Frequentemente ficamos doentes porque não perdoamos e o rancor e a cólera nos corroem. O restabelecimento da justiça é necessário, por isso a busca da correção fraterna. Mas é essencial, também, ir além da justiça, em direção à misericórdia, em direção ao perdão. O perdão é não aprisionar o outro nas consequências negativas de seus atos. É não nos aprisionarmos também nesta situação. O perdão é a própria condição para que nossa vida continue a ser vivível. Se não perdoarmos uns aos outros, a vida vai se tornar impossível de ser vivida.

PARA REFLETIR

1- Sua vida de oração e na escuta da Palavra tem mudado sua postura com relação ao perdão?

2- Quando se fala de justiça, você pensa na “justiça feita pelas próprias mãos”, no sentido de vingança, ou no sentido do restabelecer a alguém o que lhe é de direito?

3- Qual sua experiência pessoal sobre corrigir fraternalmente e deixar-se ser corrigido?

voltar