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Os pactos na comunidade cristã (Gl 3,26-29)

(O que o texto diz?)

Queridos irmãos e irmãs,

A essência do cristianismo, a marca maior da Trindade e a vocação da Igreja carregam em si as expressões da vivência comunitária. Também a festa de Corpus Christi realizada na última semana traz esta forte dimensão. Começaremos gradativamente a estudar os pactos das células, cujo objetivo é criar ou fortalecer nas células os vínculos da comunhão.

Todo movimento comunitário na história da salvação resulta de um pacto. Por exemplo, sabemos que o povo de Deus nasceu do pacto de Deus com Abraão. Deus o chama para fora: ele sai de seu mundo, de sua cultura e abre-se a um caminho desconhecido, onde formará uma nação, entrando em uma nova terra (Gn 15,5).

Também para conquistar a terra, por meio de Moisés, Deus fez com esse povo um novo pacto. Deus exige pureza antes de firmar o pacto, ou seja, abandono do velho estilo de vida. Ele os chama para fora do acampamento (19,4-6.10-11.17) e com a aspersão do sangue animal selou o pacto firmado entre Deus e o Seu povo. (Ex 24, 8)

Os textos acima trataram do pacto de Deus com o “pai da fé” e com o “libertador de Israel”, que por sua vez são imagens do Mediador maior, Jesus Cristo, (I Tm 2, 5-6), e de Sua nova aliança, proposta a todos os homens. Por sua vez, então, a Igreja, novo povo de Deus, é fruto do pacto da cruz. Jesus é o autor da fé (cf. Hb 12, 2), o único capaz de nos libertar definitivamente do mal (cf. Jo 8, 32; Gl 5, 1; Cl 1, 13). No sangue de Sua cruz está a prova final do pacto de Deus com o Seu povo: “Porque Deus amou o mundo tanto, que deu seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

Com Suas próprias palavras Cristo anunciou e instituiu o pacto de Deus conosco: “Isto é o meu corpo que é entregue em favor de vocês. Façam isto em memória de mim (...); Este cálice é a nova aliança feita por Deus com o seu povo, aliança que é garantida pelo meu sangue, derramado em favor de vocês” (Lc 22, 19-20).

Falar em pactos, portanto, significa mergulhar no mistério da insondável misericórdia divina, que ao longo da história da salvação, consumada em Cristo, chama-nos a uma união intensa com Deus e uns com os outros, já que não existe nas Escrituras pacto entre indivíduos isolados com Deus, mas entre Deus e Seu povo. Assim, a aliança firmada com Cristo só é autêntica quando transborda, quando se expressa na vida comunitária.

Por meio dos pactos, assumimos abertamente nosso desejo de viver em comunhão para, então, fazer missão, ou seja, assumimos as exigências do nosso Batismo, onde fomos revestidos de uma nova natureza (cf. II Cor 5, 17; Ef 4, 17-24), e desafiados a viver como Cristo viveu:  “Porque vocês foram batizados para ficarem unidos com Cristo e assim se revestiram com as QUALIDADES do próprio Cristo” (Gl 3, 27).

O pacto que liga os participantes de uma comunidade de fé engloba e reativa alguns elementos bastante objetivos: não apenas um interesse pelo evangelho, mas a decisão, a opção de viver, tanto quanto possível, como discípulo de Jesus; não apenas a solidariedade com os outros membros do grupo, mas o desejo de comunhão com eles no evangelho e no Espírito.

PARA REFLETIR:

1-Na vida social, quais são os pactos que comumente precisamos assumir numa boa convivência?

2- Você acha que firmar pactos ajuda ou atrapalha a vida de uma comunidade. Por que?

3- Que tipos de pactos você acha que deveríamos ter entre os membros das nossas células?