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Pactos da Célula – A Sensibilidade (João 2,1-12)

Hoje Deus nos convida a desenvolver um estilo de vida onde nosso agir seja todo pautado por verbos que evoquem nosso envolvimento real com as pessoas e com suas coisas, grandes e pequenas.
Sensibilidade quer indicar que a vida cristã deve estar à “flor da pele”. Isso tem um significado muito bem compreendido por todos.
Nós precisamos mesmo cultivar uma vida cristã de relacionamentos que nos sensibilizem com a vida alheia. Neste sentido, entendemos claramente como a célula é uma escola de sensibilidade e que, se nos recusamos a aprender a lição, começamos a nos sentir marginalizados por nossa própria autodefesa, que se torna inevitavelmente autoexclusão.
De fato, não dá para fazermos de conta que amamos em meio a um grupo de vida comunitária, e se o grupo todo finge, logo se sente hipócrita e perde a razão de existir. Os alcoólatras podem se reunir de forma fingida em grupo, porque o que lhes interessa é a bebida. Os corruptos podem se reunir de forma fingida em grupo, porque o que lhes interessa é tirar vantagens. Nós não podemos ser assim, porque o que nos interessa é o amor fraterno e se ele faltar, não temos razão de nos reunir. Se alguém está no grupo e não se deixa tocar, logo o sente inóspito e certamente o deixará, dizendo que não foi acolhido devidamente ou que as exigências eram demasiadas.
Claro que é muito mais fácil fazermos uma vida cristã de aparências e rituais que nos mantenham isolados uns dos outros, ainda que isso lentamente nos torture e tire nossa alegria de seguir a Jesus. É claro que compreender a vida dos outros na nossa e nos sensibilizarmos, torna-nos mais vulneráveis e comprometidos, massacra nosso orgulho e “posição”, no entanto, é libertador e curativo.
A aliança de Deus com os homens no tempo de Jesus já estava saturada dessa superficialidade insensível. A vida do homem com Deus, que deveria ser um matrimônio de amor, havia se tornado um desgosto triste e intolerável como se fosse uma festa de casamento sem vinho, o que era extremamente desagradável para os festejos deste gênero da época.
No Evangelho de S. João, podemos encontrar sete milagres (sinais) de Jesus (o que é em si uma simbologia da obra completa de Deus), e o primeiro deles foi o que vemos em João 2, 1-11, as Bodas de Caná.
Nesse episódio aprendemos esta lição: Deus não nos quer com esses relacionamentos frios e insensíveis, tristes e desagradáveis, seja com Ele, seja uns com os outros. Por isso Jesus foi à festa. Mas vejamos, Ele foi provocado ao milagre por causa de um gesto de sensibilidade de uma pessoa que viu faltar vinho: Maria. Quantas pessoas deveriam estar por ali? Mas só Maria o percebeu!? Ela, que é a primeira alma da Nova Aliança, em tudo plenificada da graça de Deus (cf. Lucas 1, 28), estava extremamente sensível à situação, que não era só de um casamento numa vilazinha do passado, mas se refere à vida humana.
A sensibilidade de Maria fez iniciar o ministério de Jesus, e isso sempre se repete, quando outros cristãos resolvem sair da rotina religiosa e dar um passo nesta direção. De novo, ainda que pareça ser algo que não suscite interesse em Deus (versículo 4), o amor se renova, a alegria verdadeira volta, a vida torna-se uma festa de convivência.
A sensibilidade permite enxergar o que está faltando e mobiliza a pessoa para resolver o problema: “Eles não têm mais vinho” (v. 3). Isto é, falta-lhes o Espírito; a antiga aliança esgotou-se pelas infidelidades de Israel. Deus tinha prometido que, com a vinda do Messias (= Ungido pelo Espírito), seria selada uma nova aliança com Israel e o povo de Deus teria uma nova efusão do Espírito (cf. Jl 3,1-5). O vinho é símbolo da alegria messiânica, símbolo também do Espírito Santo, que embriaga e alegra o coração (cf. At 2,15s; Ef 5,18).
Essa é nossa proposta com a visão celular. Porque, começando no pequeno grupo, a sensibilidade aumenta e o mundo à nossa volta é atingido pelo contagiante amor de Deus que de novo aquecerá os homens com o ESPÍRITO DIVINO, que é o amor de Deus derramado em nossos corações (cf. Rm 5, 5).

Para refletir
1 – Você é sensível às necessidades dos outros, em especial aos membros de sua célula?
2 – Estou disposto (a) a me interessar sinceramente pelos outros?

Declaração
“Assim como desejo ser conhecido e compreendido por vocês, faço o pacto de ser sensível a vocês e às suas necessidades. Vou ouvi-los e sentir o que se passa com vocês, e procurar tirar vocês do desânimo e isolamento. Vou evitar seriamente dar respostas simplistas para as situações nas quais vocês se encontram”.

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