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OS PROFETAS: SENTINELAS DA SOLIDARIEDADE (AMÓS, 8, 4-6)

Introdução: Os profetas cultivam uma dúplice paixão: paixão por Deus e pelo povo. Eram profundos e atentos conhecedores da realidade histórica de seu tempo, porque estavam imersos nas incertezas e contradições, nas tensões e nas injustiças. Conheciam também as leis e a aliança e acreditavam na presença de Deus que ajuda e corrige.

Amós: o profeta da justiça – agricultor, criador de gado e cultivador de sicômoros, não é sacerdote, nem funcionário ou conselheiro real. Desenvolve sua atividade profética na primeira metade do século VIII a.C. em Betel, no reino do Norte, num tempo de grande prosperidade e paz, onde um “boom econômico” desencadeou tensões entre as classes sociais, com as classes populares cada vez mais marcadas pela pobreza. Com a riqueza desenvolveu-se também a corrupção, de tal modo que a igualdade e a fraternidade foram substituídas pelo domínio e a roubalheira de uns sobre os outros. Também o Deus de Israel fica reduzido a um ídolo, quando se pretende oferecer o culto depois de ter espoliado os pobres de suas poucas coisas. O Senhor faz entender ao profeta de que não se pode aceitar, que próximo aos miseráveis que não tem com o que sobreviver, existam outras pessoas que nadam no luxo escandaloso. Ao amor do Senhor, Israel não pode responder pisoteando a justiça, mas tendo um comportamento que manifeste para Deus escuta e fidelidade, e para os outros amor e solidariedade.

Miquéias: do lado dos oprimidos – Também agricultor como Amós, desenvolve sua atividade na segunda metade do século VIII a.C. no reino do Sul, num tempo de comércio bem desenvolvido, com altos lucros, bem estar na cidade e muita miséria no interior, por causa da concentração da propriedade nas mãos de uns poucos.

A tranqüilidade interna é assegurada pelos falsos profetas que iludem os habitantes de Jerusalém com a certeza que a aliança e a presença do templo na cidade dão suficiente garantia. Mas quem age como profeta, pela força do Espírito do Senhor (Miquéias 3,8) não pode calar diante das infidelidades de Israel, diante da corrupção e da injustiça. Quando a fraternidade e a solidariedade desaparecem e não existe mais sensibilidade, a violência encontra campo aberto. Numa sociedade na qual são vividas estas relações injustas e de violência, a preocupação de prestar um culto solene ao Senhor se torna falsa; é outra coisa que Deus quer: “Ó homem, já foi explicado o que é bom e o que o Senhor exige de você: praticar o direito, amar a misericórdia, caminhar humildemente com o seu Deus” (Miquéias 6,8)

Isaías: uma comunidade fundada sobre a solidariedade  – “Acontece que, mesmo quando estão jejuando, vocês só cuidam dos próprios interesses e continuam explorando os trabalhadores. Vejam! Vocês jejuam entre rixas e discussões, dando socos sem piedade” (Is 58, 3-4). Só um jejum que se concretiza em libertação dos oprimidos e do prisioneiro, e em ajuda ao irmão necessitado, cria as condições para um encontro com o Senhor.

Conclusão: a solidariedade só é autêntica quando se realiza na ajuda concreta e pessoal para o necessitado. A credibilidade ao Evangelho de hoje depende do nível de interesse e cuidado que temos uns pelos outros. Isto está bem claro na doutrina social da Igreja, onde as duas realidades – evangelização e libertação – são indispensáveis.

Para refletir:
1- Em minha vida estou exercendo o meu papel de profeta crescendo no compromisso de serviço e solidariedade com os mais distantes e esquecidos?
2 - Por que, apesar de sermos o maior país católico do mundo e das religiões que se multiplicam a cada dia, ainda estamos na lista dos países mais injustos do planeta?

16/11/09 

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