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O PROCESSO DE DEUS CONTRA O SEU POVO  (Miqueias 6,1-16)

Ler o texto e responder: O que ele nos diz?

Queridos irmãos e irmãs,

Caminhamos ao lado do profeta Miqueias desejando que nos ajude a olhar a situação do nosso país. Miqueias nos diz que Deus vai abrir um processo contra seu povo. E o motivo é que o povo quebrou a aliança que tinha firmado com Deus, enquanto que Deus sempre cumpriu a sua parte.

O próprio Deus enumera tudo o que fez em favor do povo: o Êxodo, a libertação do povo da escravidão do Egito com a ajuda de Moisés, as ações de justiça, desde a passagem do Mar Vermelho até a entrada na terra prometida. O povo não manteve sua palavra e, no texto, ele se pergunta o que fazer para cumprir a sua parte e evitar o processo. Ele imagina que Deus esteja pedindo milhares de sacrifícios de animais, rios de azeite, muitos ritos!

O povo se interroga para saber como cumprir o que lhe compete na aliança. Ele lembra das coisas feitas no passado, as quais ele pensa que seja o que Deus está pedindo agora. Será que Deus pede para oferecer sacrifícios, holocaustos de animais, milhares de carneiros, oferecer o filho primogênito em sacrifício? É como se hoje o povo se perguntasse: será que Deus me pede para fazer uma novena? Ou que eu participe devotamente de uma procissão ou de uma romaria? Ou que eu reze as mil Ave Marias? Ou que eu faça adoração perpétua?

Mas Deus não lhe pede nada disso. Ele só pede: “Praticar o direito, amar a misericórdia e caminhar humildemente com o teu Deus! ” Ele resume nesta única frase tudo que Deus pede do seu povo na vivência da aliança. Esta é, desde sempre, a mensagem dos profetas. Eles criticam o culto cheio de sacrifícios que enganam o povo, dando-lhe um falso sentimento de justiça diante de Deus. Oseias dizia: “Quero misericórdia e não sacrifícios” (Os 6,6). Amós dizia: “Eu odeio, eu desprezo as vossas festas e não gosto de vossas reuniões. Porque, se me ofereceis holocaustos..., não me agradam vossas oferendas e não olho para o sacrifício de vossos animais cevados. Afasta de mim o ruído de teus cantos, eu não posso ouvir o som de tuas harpas! Que o direito corra como a água e a justiça como um rio caudaloso! ” (Am 5,21-24). No Novo Testamento, Jesus retoma o ensinamento dos profetas: “Quero misericórdia e não sacrifício. ” (cf Mt 9,13;12,7)

Miqueias manda o povo observar a realidade terrível que eles estão vivendo. Mas o povo não quer ver nem ouvir o grito de Deus conta o dinheiro ganho injustamente, contra as medidas falsificadas, as balanças viciadas, as sacolas cheias de pesos adulterados, contra as pessoas que se enriquecem explorando seus irmãos, contra as mentiras e a língua mentirosa. Miqueias termina dizendo que o povo “guarda os preceitos de Amri, as práticas da casa de Acab; e anda conforme os seus princípios, ou seja, eles obedecem aos governantes e não a Deus! ”. Hoje, além disso, devemos ainda abrir os olhos contra os governantes que encabeçam a lista dos que querem espoliar o povo de direitos fundamentais, conquistados a tanto custo.
A palavra profética, a denúncia não pode ficar esquecida no passado. A nossa vida de oração, a recepção dos sacramentos, a Palavra que nos alimenta, tudo isso deve nos guiar à prática da justiça, a participação social consciente, à exigência do direito e do bem comum. A Palavra de Deus seja fermento de um mundo novo!

PARA REFLETIR:

1-Costumamos dizer que Deus é brasileiro. Enumere as coisas que Deus fez e faz pelo Brasil. E enumere as coisas que Deus condenaria no povo brasileiro.

2-O que este texto nos ensina para a nossa situação atual?

(Baseado subsídio do Cebi para o mês da Bíblia – “O profeta Miqueias” – Carlos Mesters e Francisco Orofino)