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Onde está o teu irmão? (Gn 4,1-10)

Queridos irmãos e irmãs,

Iniciamos nesta semana a nossa caminhada quaresmal e neste ano, através da Campanha da Fraternidade, a Igreja nos leva a contemplar o rosto de Cristo sofredor no sofrimento de tantas vítimas do tráfico humano. Ainda nos dias de hoje Jesus continua sendo perseguido, preso, condenado e crucificado nos crucificados de nossa história.

Há muitos irmãos nossos sacrificados em nome do capital e da vantagem financeira. A Palavra de Deus nos recorda que somos responsáveis uns pelos outros, e também a nós Deus faz a mesma pergunta que fez a Caim: “Aonde está o teu irmão?”

Da mesma forma que Caim e Abel são irmãos, a Bíblia nos recorda sempre que também o somos. Deus nos deseja protetores, zeladores de nossos irmãos e irmãs. O egoísmo e a busca desenfreada pelo dinheiro e poder tem feito que irmãos se tornem exploradores dos próprios irmãos. Isto destrói a fraternidade. Assim, ao tratar da situação do tráfico humano, a Igreja deseja reforçar e recuperar o sentido de fraternidade em nossas comunidades e na sociedade.

UM OLHAR SOBRE A REALIDADE

Pode até ser, num primeiro momento, que não se trate de uma realidade tão escancarada à nossa frente, talvez pela insensibilidade, pelo desinteresse, pela falta de informação... Mas certo é que não podemos ignorar a sorte, o destino de tantas pessoas escravizadas, abusadas e exploradas ao nosso redor. Como o sangue de Abel, espalhado pelo chão, clamava a Deus, hoje o sangue, o suor e as lágrimas de tantos agredidos pelo tráfico humano também clamam a Deus.
O tráfico humano é o cerceamento da liberdade e o desprezo da dignidade dos filhos e filhas de Deus e é um dos modos atuais da escravidão. Os criminosos deste tráfico exploram pessoas de várias atividades: construção, confecção, entretenimento, sexo, serviços agrícolas e domésticos, adoções ilegais, remoção de órgãos e outras. Normalmente as vítimas são enganadas com falsas promessas de melhores condições de vida em outras cidades ou países. É um crime altamente lucrativo, no qual o ser humano tem sua dignidade aniquilada, enfrentando situações em que se vê tratado como mera mercadoria, sendo vendido ou revendido como um objeto.

CRIADOS PARA A LIBERDADE E DIGNIDADE

No relato da Criação, vemos que Deus nos criou para a liberdade e para a vida digna. Criou homens e mulheres livres. Assim, quando há um irmão escravizado, quando há um irmão escravizando irmão, quando há irmão tirando a vida do irmão, é sinal de que o pecado da violência e da ganância está desfazendo o plano da fraternidade querida por Deus.

A Sagrada Escritura testemunha que Deus se volta decididamente para a defesa dos que sofrem violência e injustiça. Deus não deixa seus filhos abandonados. Ele desce para libertá-los e conta conosco nesta tarefa.

Nós temos a missão de zelar pela vida. Também nós viemos ao mundo para que todos tenham vida em abundância. A páscoa de Jesus é o centro da fé cristã e referência para que os cristãos não se conformem com situações de escravidão como a que se configura no tráfico humano.

Tapar os olhos é o caminho mais fácil. Difícil, porém, evangélico, é denunciar as injustiças, mudar o modo de olhar para estas vítimas e para as situações que as destroem. A conversão que também se pretende na quaresma é que nos tornemos profetas e construtores de um mundo novo, onde reine a justiça!

PARA REFLETIR:

1-Você conhece alguma situação de tráfico humano de qualquer espécie, próxima da sua realidade?

2-Que reação temos ao ver estas situações de injustiça? O que você acha que Jesus faria nestas situações e o que Ele nos ensina a fazer?

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