Estudo Semanal
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JESUS CARREGAVA NOSSAS CULPAS (I Pe 2,21-25)

Queridos irmãos e irmãs,

A leitura que a fé cristã faz do pecado e da graça só ganha sentido à luz da Ressurreição de Jesus de Nazaré e da afirmação da Sua divindade. Por outro lado, a força dessa afirmação pode levar-nos a descuidar da densidade dramática da luta permanente entre a graça e o pecado que marca toda a nossa vida terrena, e que marcou ao extremo todo o desenrolar da paixão e morte do Filho de Deus, Jesus de Nazaré.  

Ensina o Catecismo da Igreja Católica (§185) que “é justamente na paixão, em que a misericórdia de Cristo vai vencê-lo, que o pecado manifesta o grau mais alto da sua violência e de sua multiplicidade, incredulidade, ódio assassino, rejeição e zombarias da parte dos chefes e do povo, covardia de Pilatos e crueldade dos soldados, traição de Judas, tão dura para Jesus, negação de Pedro e abandono da parte dos discípulos. Mas, na própria hora das trevas e do príncipe deste mundo, o sacrifício de Cristo se torna secretamente a fonte de onde brotará inesgotavelmente o perdão de nossos pecados.”

Todos nós temos a experiência do pecado, experiência dolorosa, que a liturgia nos coloca ”em pensamentos, palavras, atos e omissões”.

É uma experiência tão marcante que ultrapassa a nossa individualidade, e se estende às próprias relações sociais, multiplicando-se e replicando-se, a ponto de criar “redes” tão poderosas sobre a sensibilidade, a vontade, as opções e a vida concreta das pessoas, que nos sentimos todos manipulados por verdadeiras “estruturas de pecado”.

DO PECADO À GRAÇA!

A doutrina cristã vê nesta experiência comum da humanidade a marca indestrutível de uma revolta “original” do homem/mulher contra Deus e contra os irmãos, que une solidária e misteriosamente o gênero humano. Mas, se pela experiência e pela Revelação de Deus nos descobrimos como “pecadores”, logo também, pela mesma Revelação, descobrimos que o amor de Deus por nós é tão grande que Ele mesmo “lava o nosso pecado”, nos purifica, nos faz dignos de sermos seus amigos, nos restitui a “graça original”. Toda a nossa vida é marcada por essas duas fronteiras extremas: do pecado e da graça; mas, por ação de Jesus (encarnação-vida, morte, ressurreição) a graça de Deus saiu já vencedora sobre o pecado.

CRUZ – CONSEQUÊNCIA DO PECADO

É sempre muito importante entender que Jesus morreu na cruz, não porque tivesse nascido com essa “sina”, mas porque Ele foi sempre fiel a Deus Pai, enquanto o pecado é a infidelidade a Deus. Jesus sofreu, de modo muito visível e imediato, o efeito dos pecados das pessoas, até ao ponto de morrer na cruz. Não morreu na cruz porque queria morrer assim; morreu assim porque a “teia” de pecados o condenou. Se algum dia Ele tivesse sido infiel ao Pai, então poderia não morrer na cruz: bastava, por exemplo, mentir e dizer que nunca tinha querido dizer aquilo que de fato tinha dito antes... Mas Jesus mantém-se verdadeiro, como Filho de Deus que é, na fidelidade ao Pai. Sempre. Por isso, morre.

Nessa fidelidade até a morte, por causa dos nossos pecados, a fé cristã vê em Jesus o Redentor da humanidade. Esse conceito de redentor, em termos simples, quer dizer que Jesus, sendo totalmente homem, sem deixar de ser Deus, criou um vínculo pessoal com todo o gênero humano, e apresentou assim ao Pai esse gênero humano novamente digno de ser amado por Deus, porque fiel a Deus até o fim.

À luz da Aparição à beira do Lago de Tiberíades, por iniciativa do Ressuscitado, a reflexão aponta outro modo bíblico de compreender o mistério da Redenção operada por Jesus: o homem (Pedro, que no cenário da cruz negara totalmente Jesus) torna-se agora capaz de dizer “não” ao pecado e dizer, totalmente, “sim” a Deus. (Jo 21,14-17)

PARA REFLETIR:

1-Como tenho procurado cumprir os compromissos quaresmais de oração, jejum, solidariedade, reconciliação?
2-Tenho mantido a fidelidade a Deus ou tenho medo e vergonha de dar testemunho da minha fé?
3- Identifico em mim alguma atitude como aquelas dos personagens que cercavam  a paixão e morte de Jesus (egoísmo, abandono, traição, rejeição, ódio, covardia, omissão, violência)? Como curá-la
?