Estudo Semanal
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SUBIR O MONTE TABOR (Lc 9,28-36)
(Das palavras do Papa Bento XVI por ocasião da sua oração do Angelus neste domingo, dia 24 de fevereiro)

Queridos irmãos e irmãs,

No segundo domingo da Quaresma, a liturgia sempre nos apresenta o Evangelho da Transfiguração do Senhor. O evangelista Lucas coloca especial atenção no fato de que Jesus foi transfigurado enquanto orava: a sua é uma profunda experiência de relacionamento com o Pai durante uma espécie de retiro espiritual que Jesus vive em um alto monte na companhia de Pedro, Tiago e João, os três discípulos sempre presentes nos momentos da manifestação divina do Mestre (Lc 5,10; 8,51; 9,28).

O Senhor, que pouco antes havia predito a sua morte e ressurreição (9,22), oferece a seus discípulos uma antecipação da sua glória. E também na Transfiguração, como no batismo, ouvimos a voz do Pai Celestial: "Este é o meu filho, o eleito; ouvi-o" (9, 35). A presença de Moisés e Elias, representando a Lei e os Profetas da Antiga Aliança, é muito significativa: toda a história da Aliança está focada Nele, o Cristo, que faz um novo "êxodo" (9,31), não para a terra prometida, como no tempo de Moisés, mas para o céu. A intervenção de Pedro: "Mestre, é bom para nós estarmos aqui" (9,33) representa a tentativa impossível de parar esta experiência mística. Santo Agostinho diz: "[Pedro] ... no monte... tinha Cristo como alimento da alma. Por que deveria descer para voltar aos trabalhos e dores, enquanto lá em cima estava cheio de sentimentos de santo amor por Deus e que inspiravam-lhe uma santa conduta? "(Sermão 78,3).

Meditando sobre esta passagem do Evangelho, podemos tirar um ensinamento muito importante. Primeiro, o primado da oração, sem a qual todo o trabalho do apostolado e da caridade é reduzido ao ativismo. Na Quaresma aprendemos a dar o justo tempo à oração, pessoal e comunitária, que dá fôlego à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é um isolar-se do mundo e das suas contradições, como Pedro quis fazer no Tabor, mas a oração traz de volta para o caminho, para a ação. "A existência cristã consiste num contínuo subir o monte do encontro com Deus, para depois descer trazendo o amor e a força que provém dele, a fim de servir os nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus ".

Queridos irmãos e irmãs, sinto essa Palavra de Deus especialmente dirigida a mim, neste momento da minha vida. O Senhor me chama para “subir o monte”, para me dedicar ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja, pelo contrário, se Deus me pede isso é para que eu a possa continuar servindo com a mesma dedicação e o mesmo amor com o qual fiz até hoje, mas de um modo mais adequado à minha idade e às minhas forças. Invoquemos a intercessão da Virgem Maria: que ela sempre nos ajude a seguir o Senhor Jesus, na oração e nas obras de caridade. Através da oração continuaremos sempre próximos. Neste momento particular vos peço de rezar por mim e pela igreja, confiando como sempre, na providencia de Deus.

CONCLUSÃO

Neste momento, a maioria dos grandes meios de comunicação está à busca de novidades, furos jornalísticos, muitos deles se limitando a mostrar os antigos clichês da Igreja e do Papa, permeados de preconceitos, permeados do "humano" da Igreja.

Olhemos e aprendamos com a atitude daquele que, por primeiro no mundo, deu essa notícia a um reservado grupo de cardeais: o próprio Papa Bento XVI. Ele nem sequer levantou a cabeça e nem mudou o tom de voz ao dar esse anúncio, lendo com simplicidade e naturalidade a sua declaração de renúncia. No profundo do seu coração soava uma convicção: “a cabeça deste corpo – a Igreja - é Cristo” (LG 7).

Deus continua amando o seu povo e Jesus continua dando a vida para nos salvar. Neste ano da fé renovemo-nos espiritualmente e sejamos generosos no seguimento e anúncio da notícia sempre nova e verdadeira: Jesus de Nazaré, o filho de Deus, nossa eterna salvação!

Tenhamos nós a mesma certeza e oremos para que o Espírito Santo seja o condutor da escolha do nosso próximo Papa e do destino da nossa Igreja.

PARA REFLETIR

1- Como você tem se dedicado à oração, sustento do seu crescimento espiritual?
2-Sua oração te leva a uma entrega no serviço aos outros ou ela permanece na “tenda” da contemplação?
3-Qual sentimento você tem com relação à renúncia do Papa? Tem orado pela sua sucessão?