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Sagrada família – um modelo do alto - Lc 2, 20-40

Caros irmãos e irmãs,

A inesgotável cena de Natal oferece mais uma vez a riqueza do Presépio, feito de pobreza e simplicidade. Por mais que contemplemos Jesus, Maria e José, ou tentemos nos infiltrar na cena, junto com pastores, magos ou animais, sempre nos ultrapassará e mostrará sua riqueza, cuja origem está no Céu. Hoje queremos interrogar à Sagrada Família o que tem de diferente para oferecer à nossa geração, pois há certamente algo de muito original em seu modo de viver.

Parece-nos encontrar a primeira resposta justamente na iniciativa de sua constituição. Não foram a carne e o sangue ou, quem sabe, os maravilhosos afetos humanos que fizeram acontecer esta família. José, chamado de homem justo, formado certamente na escola de fidelidade às mais legítimas tradições de sua ascendência davídica, só queria servir a Deus e ser fiel a ele. Homem da escuta e da atenção às inspirações que lhe vieram do alto, só agia conduzido pela vontade de Deus, discernida no que a Escritura chama de "sonhos". Maria, por sua vez, parece uma jovem formada na estrita observância da esperança messiânica herdada de seus pais. Dá para ver o conteúdo bíblico de excelente teor que se manifesta em seu canto de louvor, o Magnificat. O filho daquela família de Nazaré veio do Alto, do Pai Altíssimo, gerado e não criado, da mesma substância do Pai. Maria e José foram chamados, convocados a uma missão. Fazem parte de um plano que tem o nome de salvação, expressão do amor eterno de Deus pela humanidade. Família cujo modelo se encontra no alto!

O dia a dia da família de Nazaré

Um lar feito de amor, trabalho e oração, tudo vivido com muita simplicidade. O valor das pequenas coisas, uma criança diferente que aprende ao colo da mãe as lições da Escritura, um pai de família trabalhador, conhecido em Nazaré pelos serviços que realiza, nada de extraordinário e esta é a novidade, num mundo que até hoje teima em complicar as coisas. A beleza e a importância estão nas pessoas e não do que elas eventualmente possam fazer ou produzir.

Aonde quer chegar esta família? Ela foi pensada como presente para o mundo, não existe para si. Um dia o Filho deve partir. Sabiam que ele era diferente de todos, mesmo se conhecido apenas como "Filho do Carpinteiro". José que sai muito cedo de cena. Sua família maior atrai Jesus irresistivelmente, pois é conduzido pelo Espírito Santo. Passará pelas estradas da Galileia e da Judeia anunciando a boa nova do Reino de Deus a todos, realizando sinais e prodígios que atraem as multidões. Maria praticamente desaparece durante os anos da vida pública. Depois de se revelar discípula fiel em Caná, vai comparecer anos mais tarde, Mãe Desolada aos pés da Cruz, para adotar a humanidade representada por João. É uma família feita para o mundo e para a doação completa. Nada é guardado ou acumulado, tudo entregue para fazer o bem. Família destinada a servir e a se doar pelo Reino de Deus!

Lições regadas de eternidade

É hora de voltar a pensar com os pensamentos de Deus! Sabemos muito bem o quanto nos cansamos de correr em círculo vicioso, em torno de nós mesmos. O egoísmo e a vaidade têm feito e ainda farão muito mal. É tempo de inverter a rota! Nossas famílias podem ser diferentes, originais! Olhemos ao nosso redor. Os dias de Natal mostraram que os sentimentos e afetos mais simples são os que mais agradaram as pessoas. É impressionante a sede de comunhão existente das pessoas. A passagem de ano traz consigo muitas passagens de filhos e filhas, cujo mundo se amplia, com pais aprendendo que não os geraram para si, mas para Deus e para o bem da própria sociedade. A família só se realiza quanto educa no amor e para o amor. Ela se descobre aberta e servidora, livre na capacidade de se doar! Ela aprende a perder para receber cem vezes mais!   

(Texto de D.Alberto Taveira- Arcebispo Belém Pará)

PARA REFLETIR: Pense em fazer um propósito para o próximo ano: você e sua família sejam dispostos a servir e a se doar pelo Reino de Deus. Pense nisso!