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O PECADO DE QUERER MAIS DO QUE O NECESSÁRIO (Ex 16,10-21)

A quaresma continua nos encaminhando a um movimento de conversão e tomada de consciência dos pecados da humanidade contra a obra da criação de Deus, dos nossos excessos de consumo dos recursos naturais que estão esgotando a capacidade do Planeta Terra.

1. Quando Deus libertou do deserto o seu povo que estava morrendo sob a mão forte do Faraó, Ele o fez caminhar pelo deserto zelando por ele. Moisés foi o guia e o líder desta caminhada. O povo precisava de comida e recebeu o maná. Entretanto, havia normas para evitar o desperdício e permitir que todos tivessem o necessário. Cada um só podia recolher o que de fato precisava. O que fosse acumulado a mais apodreceria.

Apodrecer é um símbolo das conseqüências do acúmulo do desnecessário. Quando o ser humano quer bens materiais em excesso, quando acumula, suscita “podridão” para a sua vida, na dos outros e na da própria natureza. Deus havia planejado tudo para que a necessidade básica fosse atendida. Mas há os ambiciosos, os que querem acumular, ter mais. E o Senhor questiona: “até quando recusareis guardar meus mandamentos e minhas leis?” (Ex 16,28). Se esse texto tivesse sido escrito hoje, provavelmente Deus perguntaria: “até quando vocês vão desprezar a natureza, pela ambição de acumular e gastar, e assim, apodrecer o planeta irresponsavelmente?”

Essa lição da caminhada do povo pelo deserto é interessante para a dinâmica de nossa sociedade e para cada um de nós pessoalmente. O sistema capitalista atual e o modo de vida que vem sendo difundido são altamente consumistas e desperdiçadores. As pessoas querem acumular coisas e capital para além do que é realmente essencial à satisfação das suas necessidades, e se deliciam, inclusive, com as coisas supérfluas.

2. Não podemos cair no engano de pensar que a bênção (Gn 1,22.28;2,3) que Deus dá ao ser humano, de “dominar e submeter a terra” significa que nós podemos fazer com ela tudo o que quisermos. “Dominar a terra” não significa concentrar riquezas. Também não significa que devamos deixar somente nas mãos dos governantes, das autoridades. Significa administrar o que Deus nos deu para que todos continuem tendo vida em abundância. Cada um de nós é parte importante neste processo se descobrir que também o nosso excesso pessoal de consumo contribui para o problema do planeta. Fala-se hoje muito da regra dos “3 Rs” que significa:

* Reduzir: Diante dos impulsos de consumo e dos apelos compulsivos da mídia, poucas vezes nos questionamos se de fato precisamos trocar nossos bens ou se o fazemos apenas pela necessidade de status... Reduzir o consumo nos leva a utilizar os nossos recursos de uma forma mais justa, mais disciplinada e mais comunitária.

Frente ao consumo desenfreado sequer conseguimos manter nossa fidelidade e gratidão a Deus através do nosso dízimo, porque deixamos para oferecer a Ele o que nos sobra e como nada sobra, nada oferecemos. O espírito de partilha fica prejudicado, mas, sobretudo, a consciência da gratuidade, de que tudo nos foi dado por Deus e que tudo a Ele pertence, cabendo-nos administrar bem o que nos está disponível.

** Reutilizar: Estamos na cultura do descartável, produtos com embalagens mais bonitas, mais vistosas e que deixam mais resíduos na natureza. Uma simples ida ao supermercado - quantas sacolinhas a cada visita... Quantas coisas jogamos fora enquanto ainda poderiam ser utilizadas. Quanta comida estraga nas geladeiras...

*** Reciclar: Não são só as indústrias e as grandes empresas que podem colaborar com isso. Cada casa pode fazer a sua parte separando o seu lixo orgânico do reciclável. Obviamente, dá um trabalho a mais, mas é o futuro do planeta que está em jogo e, portanto, o nosso próprio futuro... Também devemos optar por produtos que tenham embalagens passíveis de reciclagem, que oferecem a opção de refil, etc.

Não podemos deixar que a ambição do possuir nos afaste do bom uso dos bens que o Senhor nos permitiu usufruir. Não somos cristãos apenas nas celebrações, nos encontros, nas orações, mas devemos dar o nosso testemunho em qualquer lugar em que estejamos e, portanto, o nosso modo de interagir com a natureza deve ter o modelo que aprendemos de Jesus: integridade, respeito, submissão a Deus e à sua obra, zelo e cuidado pelo ser humano e pelo mundo em que ele habita.

PARA REFLETIR:

1- Como o povo do deserto, você tem caído na tentação do acúmulo, que bloqueia a sua generosidade de partilhar seus bens e seu tempo com as pessoas?

2- Que tipos de iniciativa, nós como célula paroquial de evangelização, podemos tomar para reduzir, reutilizar, reciclar?

3- Faça um propósito de evitar todo tipo de desperdício (recursos, tempo, todo tipo de material, comida, eletrônicos...)

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