Estudo Semanal
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JESUS, A MENSAGEM DE DEUS PARA NÓS (Jo 1,14-18)

Queridos irmãos e irmãs,

Na semana passada refletimos sobre a comunicação de Deus conosco, plenificada pela encarnação do Seu Filho Jesus. Agora, somos levados a ler a encarnação à luz dos sonhos, anseios, atitudes e comportamentos de Jesus adulto.

O catecismo nos oferece essa leitura que parte da vida do Nazareno para o mistério da sua encarnação: Nós cremos e confessamos que Jesus de Nazaré, judeu nascido de uma filha de Israel, em Belém, no tempo do rei Herodes, o Grande, e do imperador Cesar Augusto, carpinteiro por profissão, morto crucificado em Jerusalém sob o procurador Pôncio Pilatos no reinado do imperador Tibério, é o Filho eterno de Deus feito homem (CIC 423) Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado (Gaudium et Spes,22)

UMA MISSÃO NESTE MUNDO

Todos nós, enquanto sujeitos dotados de consciência humana, assumimos como natural que temos “algo” a fazer neste mundo, que sofremos quando este mundo nos recusa um lugar, um papel, uma afirmação da nossa identidade única e irrepetível. A possibilidade desta nossa afirmação depende muito dos outros, mas muito mais ainda de nós, das nossas atitudes, dos nossos comportamentos, das nossas crenças, das nossas relações com as coisas, com as pessoas, com Deus. E, numa sociedade toda virada para o “sucesso”, que “endeusou” a competitividade, e onde só há lugar para os fortes (ditos “os melhores”) talvez sintamos até certo “desespero” por não conseguirmos marcar o mundo com a nossa “marca” pessoal.

Como verdadeiro homem, Jesus teve sonhos, anseios, projetos, atitudes, comportamentos, sentimentos, relações sociais tanto gratificantes quanto frustrantes... mas o sonho maior de Jesus parece estar muito próximo do nosso próprio sonho: mudar o mundo! Mas, em Jesus, esta mudança tem um sentido muito claro: mudar o mundo segundo o projeto do Pai para o mundo!

SUJEITOS À TENTAÇÃO

Jesus, ao se encarnar entrou no verdadeiro campo das tentações (das deles e das nossas) que consistem na fuga aos limites e às potencialidades da Encarnação, do ser Pessoa Humana, para querer agir no plano de Deus. Por isso as tentações de Jesus no deserto (Lc 4,1-13) podem ser lidas como as diversas provas sob as quais nós mesmos somos colocados:

-substituir-se a Deus (ser Deus)
-instrumentalizar Deus (obrigar Deus a agir)
-trocar de Deus (por um deus à nossa medida)

A vida de Jesus esteve permanentemente sujeita à tentação, mas teve uma verdadeira resposta de fidelidade a Deus Pai em todas as circunstâncias, até à própria morte. A resposta à tentação é uma fidelidade a Deus como o único absoluto, no uso de todas as nossa potencialidades: inteligência, vontade, sensibilidade, sociabilidade, técnica, amor...

Pela sua permanente fidelidade a Deus, vencendo as tentações até a própria morte de cruz, Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, redignificou a humanidade, tornando-a digna de ser novamente a “amiga de Deus”, dignidade que a humanidade tinha perdido pelo pecado (que é o nosso ceder às tentações). A quaresma nos leve a buscar essa fidelidade em todos os campos do nosso viver, não somente naqueles que nos são mais convenientes.

Da nossa parte, a encarnação (o sermos pessoas humanas) está cheia de potencialidades para continuarmos a edificar o reino de Deus. Apenas importa, nas nossas opções, sermos totalmente fiéis a Deus.

PARA REFLETIR:

 1-Qual forma de tentação mais sofremos em nossa vida: sermos nosso próprio Deus, obrigar Deus a agir, ou criar um Deus à nossa vontade?

2-Tendo o mesmo sonho de Jesus de mudar o mundo, nosso jeito de ser é coerente com o dEle na construção do Seu Reino?

3-Jesus é para você modelo de ser humano ou somente um Deus no alto dos céus?