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IRMÃOS À MESA, IRMÃOS NA VIDA (1 Cor 11,23-26)

Revivemos nesta semana os momentos fortes da história da salvação. Temos uma nova oportunidade de acolher Jesus que entrega sua vida por nós.

Na quinta-feira iniciamos o tríduo pascal, com a ceia do Senhor. Na reta final de sua vida terrena Jesus reúne os seus ao redor da mesa, conversa com eles e reparte o pão, o vinho e a vida com eles.

O povo judeu mantém a Páscoa até hoje como uma refeição familiar. Não é uma refeição qualquer: é a alimentação da memória da história do povo. Ao redor da mesa da páscoa, as crianças judias, ainda hoje (como deve ter acontecido com Jesus) aprendem a sentir-se parte do povo, valorizam sua história e sua identidade. Não é mesa de esbanjamento e ostentação. A bíblia diz que o cordeiro pascal não deve sobrar: se a família for pequena para comer o cordeiro sozinha, que convide os vizinhos. Convidar o vizinho significa reconhecer-se família, membro do mesmo povo, junto com ele. A páscoa judaica é lembrança da libertação de uma escravidão. Alimenta no povo o amor à liberdade e a responsabilidade de ser agente de libertação do mundo, como sinal da presença do Deus Libertador.

A mesa é um símbolo forte: há mesas vazias, mesas cheias demais e há pessoas que não conseguem – ou não querem - partilhar juntas da mesma mesa. Cada uma dessas situações tem muito a dizer sobre o estado dos relacionamentos que desenvolvemos com as pessoas e até com Deus.

A ceia é um elemento importante na vida humana: sustenta o corpo e cria comunhão. Hoje se come às pressas cada um num horário diferente e às vezes brigados...

A mesa como lugar de lembranças e memórias

É freqüente que durante um almoço mais ou menos festivo em família alguém lembre uma pessoa ausente que participou de outras refeições, ou recorde algum prato especial que a avó costumava fazer, ou se lembre de outros almoços que marcaram datas especiais da família... A mesa das famílias não é balcão de lanchonete, onde apenas se mata a fome. A mesa daqueles que amamos é um campo de lembranças, alimenta o estômago e o coração.

Celebrar a Ceia sem viver o amor do Pai que nos convida a ela é fingir que somos filhos dele quando de fato não acreditamos nisso. É tornar-nos uns “aproveitadores” da bondade do Pai “consumindo” seus bens, mas não nos interessando pelo “bem dele”, isto é, em fazer aquilo que o agrada.

De conseqüência, a Ceia do Pai amoroso exige dos comensais o amor fraterno entre os iguais. “Onde reina o amor, fraterno amor, onde reina o amor, Deus aí está”. Comê-la e não servir aos irmãos, amando-os como Cristo os amou, é igualmente fingir que somos irmãos quando de fato não acreditamos nisso. É aviltar o significado evidente de fraternidade, de companheirismo (do latim com-panis: que participa do pão) que marca o gesto de Jesus na partilha e na entrega do pão, sacramento de sua própria entrega em favor da vida dos seus. Contundentes e questionadoras são estas palavras do canto de comunhão de uma antiga missa da Campanha da Fraternidade:

Só tem lugar nesta mesa
Pra que ama e pede perdão
Só comunga desta ceia
Quem comunga da vida do irmão

Lembremos também as palavras de Paulo aos Efésios: “Renovai-vos pela transformação espiritual e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus na justiça e santidade verdadeiras (Ef 4,23-24).

Que as intensas celebrações deste tempo nos conduzam ao amor concreto aos irmãos e ao compromisso que nasce de um encontro com a Palavra de Deus ao redor da mesa.

Uma Santa semana para todos!

PARA REFLETIR:

 

 

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