Estudo Semanal
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A nossa indiferença  (Gn 4, 8-10)

Queridos irmãos e irmãs,

É certo que todos nós desejamos alcançar com segurança a vida eterna e vivemos procurando o caminho para conquistá-la. A proximidade com Deus, a experiência com Ele, a escuta da sua Palavra vão nos respondendo: a "vida eterna" é encontrada no amor a Deus, concretizado no amor ao próximo.
À luz da Palavra de Deus queremos lançar uma provocação à nossa consciência de forma que  sejamos incitados a refletir e mudar concretamente certas atitudes.

“Adão, onde estás?”

Esta é a primeira pergunta que Deus faz ao homem depois do pecado. “Onde estás, Adão?”. E Adão é um homem desorientado, que perdeu o seu lugar na criação, porque presume que vai tornar-se poderoso, dominar tudo, ser Deus. E quebra-se a harmonia, o homem erra; e o mesmo se passa na relação com o outro, que já não é o irmão a amar, mas simplesmente o outro que perturba a minha vida, o meu bem-estar. E Deus coloca a segunda pergunta: “Caim, onde está o teu irmão?”. O sonho de ser poderoso, ser grande como Deus ou, melhor, ser Deus, leva a uma cadeia de erros que é cadeia de morte: leva a derramar o sangue do irmão!

Estas duas perguntas de Deus ressoam, também hoje, com toda a sua força! Muitos de nós  estamos desorientados, já não estamos atentos ao mundo em que vivemos, não cuidamos nem guardamos aquilo que Deus criou para todos, e já não somos capazes sequer de nos guardar uns com os outros.

“Onde está o teu irmão? A voz do seu sangue clama até Mim”, diz o Senhor Deus. Esta não é uma pergunta posta ao outro; é uma pergunta posta a cada um de nós. Quantos dos nossos irmãos e irmãs estão em situações difíceis, sedentos de um pouco de serenidade e de paz! Quantos buscam um lugar melhor para si e suas famílias e só encontram sinais de morte! Quantas vezes há outros que não encontram compreensão, não encontram acolhimento, não encontram solidariedade! E as suas vozes sobem até Deus!

“Onde está o teu irmão?” Quem é o responsável por estes sofrimentos? Quem é o responsável pelo sangue destes irmãos e irmãs? Ninguém! Todos nós respondemos assim: não sou eu, não tenho nada a ver com isso; serão outros, eu não certamente. Mas Deus pergunta a cada um de nós: “Onde está o sangue do teu irmão que clama até Mim?” Hoje ninguém no mundo se sente responsável pelas grandes tragédias, pela dor, pelo sofrimento humano; perdemos o sentido da responsabilidade fraterna; caímos na atitude hipócrita do sacerdote e do levita de que falava Jesus na parábola do Bom Samaritano: ao vermos o irmão quase morto na beira da estrada, talvez pensemos “coitado” e prosseguimos o nosso caminho. Não é dever nosso; e isto basta para nos tranquilizarmos, para sentirmos a consciência em ordem.

Aonde está o teu próximo, teu irmão?

O nosso olhar geralmente se foca na perspectiva errada. Jesus ensinou que não sou eu não tenho que ter próximo, eu  tenho que ser o próximo, por estar próximo.  Não há como olhar para o lado e dizer que não há ninguém a socorrer, nada a fazer. Não adianta colocar lentes coloridas em nossos olhos para vermos o mundo com o tom da alegria. Há, nós bem o sabemos, toda uma realidade a ser socorrida, mas o nosso excesso de visão do perigo nos afasta dos caídos e necessitados. 

Enquanto isso, Jesus continua passando à nossa margem, clamando por socorro, por justiça e por cuidado, na “presença invisível” daquele que nos incomoda. Na conclusão da parábola do Samaritano, Jesus orienta: "Vai e faze tu o mesmo". Esse gesto é um aspecto fundamental da missão da Igreja. Cristo continua aguardando uma resposta nossa diante dos que encontramos abandonados e espoliados ao longo do caminho. Deus continua nos pedindo contas do nosso irmão.

PARA REFLETIR:

1-Quem é o seu próximo? Qual o nome dele?
2-Você reconhece a presença de Cristo nas pessoas que sofrem ao longo dos caminhos do mundo? Ou prefere não perder tempo e seguir o seu caminho fingindo nada ver?
3- A qual ação concreta esta reflexão te leva?