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A IGREJA SANTA, NA TERRA E NO CÉU (Mt 5, 1-12a)

Caros irmãos e irmãs,
Ao celebrarmos na mesma semana a festa de Todos os Santos e o Dia de Finados, a igreja nos ensina que a santidade não é algo a ser vivido só na outra vida, mas é o começo agora daquilo que depois se plenificará. A santidade não é uma realidade só para alguns, mas para todos. Não é um tema simplesmente da vida privada, mas, envolvendo nosso ser mais pessoal, faz parte de nosso testemunho diante do mundo.

Mas, afinal, no que consiste a santidade? Uma vez que somos chamados a “ser santos como o nosso Pai celeste é Santo”, precisamos percorrer o mesmo caminho que Jesus percorreu e, no Evangelho do Sermão da Montanha, é Ele mesmo que nos revela a vontade de Deus para a vida do homem.

CONSTRUINDO A VIDA DE SANTIDADE
Não se poderia tratar do assunto da santidade de uma forma simplista: um é santo e outro, pecador. A santidade é uma busca e uma realidade que acontece no interior de cada um. Cada um pode ter em si algo da santidade e algo do pecado. A santidade da Igreja se constrói com a santidade de cada um de nós. A Igreja é santa naquilo que, no coração de cada fiel, é orientado pelo amor que provém de Deus, leva a Deus e à dedicação sem limites aos irmãos.

Os santos são aqueles que viveram a assimilação à pessoa de Jesus. São hoje bem-aventurados no céu, mas já começaram, pela vivência cotidiana dos valores das bem-aventuranças, a sê-lo nesta terra. A vida segundo o Evangelho não é uma vida tristonha, revoltada, mas já nos faz, aqui e agora, saborear as alegrias celestes. Quem está com Jesus já participa, na sua vida concreta, da bem-aventurança prometida.

AS LIÇÕES DAS BEM-AVENTURANÇAS
As bem-aventuranças são palavras que ensinam os discípulos. São imagem do mundo novo, do Reino que Jesus inaugura e que já se inicia agora. Apresentam-se como uma subversão dos critérios do mundo: os que são considerados como nada são ditos felizes. Trata-se de uma felicidade de outra dimensão, onde o cristão se alegra não obstante os sofrimentos. Elas são também retrato do próprio Jesus: Ele é o primeiro a fazer-se pobre, manso, misericordioso...

Bem-aventurados são, primeiramente, os “pobres em espírito”. Não é uma pobreza unicamente material nem uma pobreza puramente espiritual. Trata-se de saber renunciar às riquezas materiais, usando-as para o bem comum, com a liberdade interior que provém dos imperativos do Evangelho.

Essa atitude se expressa também na mansidão, que, não se impondo com prepotência, mas vivendo em espírito de serviço, terá sua recompensa na outra terra. E naqueles que, aflitos, resistem ao mal sem fazer o mal e agem com a esperança posta em Deus em favor do restabelecimento da ordem querida por Deus. A eles estão ligados os que tem fome e sede de justiça, aqueles que sofrem sem verem seus direitos respeitados, mas têm já a certeza da justiça que nunca falhará.

Os misericordiosos que deixam transbordar da riqueza do seu coração algo que os faz, talvez sem se darem conta, imagem da infinita misericórdia de Deus, que para eles é reservada. Os puros são aqueles que podem estar diante de Deus sem máscaras, pois nada têm a esconder. Os que promovem a paz são os que vivem a reconciliação, que começa com Deus e deve expandir-se nos relacionamentos humanos.

Por fim, bem-aventurados são os perseguidos por causa da justiça que não se dobram frente a medidas injustas.

As bem-aventuranças não são uma teoria, mas se realizam já neste mundo naqueles que buscam uma vida de santidade, deixando-se guiar pela radicalidade do Evangelho. Todos esses celebram, junto com os santos canonizados, a festa de todos os santos e podem alegrar-se e exultar porque, pela graça, terão uma grande recompensa de Deus (Mt 5,12)

PARA REFLETIR:

1-Como ser cristão coerente num mundo onde há tantas estruturas e valores que contrariam o Evangelho?
2-Qual das bem-aventuranças é o chamado mais forte e difícil na sua caminhada de hoje?
3-O que as duas celebrações desta semana dizem ao seu coração?

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