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“A FÉ DA IGREJA” (Ef 4,13-15)

Queridos irmãos e irmãs!
Há poucos dias o Papa Bento XVI concluiu em Roma o sínodo dos bispos para a nova evangelização. Vejam que bênção, que graça, que estímulo para nós, saber que neste encontro um dos temas apresentados foi sobre as “células paroquiais de evangelização”!

A igreja do futuro será a igreja do “encontro”, a igreja de cristãos unidos por relacionamentos fraternos, de cuidados recíprocos, de fé viva e verdadeira, muito mais do que a fé de multidões, onde na maioria das vezes as pessoas continuam sozinhas, em busca de soluções para seus problemas pessoais, mas sem conexão com os irmãos numa comunidade de comunhão e missão.

A fé é um dom, porque Deus é que toma a iniciativa e vem ao nosso encontro; e assim a fé é uma resposta com a qual nós O acolhemos como fundamento estável da nossa vida. É um dom que transforma a existência, porque nos faz entrar na mesma visão de Jesus, que opera em nós e nos abre ao amor através de Deus e dos outros.

Numa de suas catequeses o Papa pergunta: A fé tem um caráter somente pessoal, individual? Interessa somente a minha pessoa? Vivo a minha fé sozinho?

Certo, o ato de fé é um ato eminentemente pessoal, que vem do íntimo mais profundo e que sinaliza uma troca de direções, uma conversão pessoal: é a minha existência que recebe uma orientação nova.

A FÉ: UM RELACIONAMENTO
Mas o meu crer não é resultado de uma reflexão minha, solitária, não é o produto de um pensamento meu, mas é fruto de uma relação, de um diálogo, no qual há um escutar, um receber e um responder; é o comunicar com Jesus que me faz sair do meu “eu” fechado em mim mesmo para abrir-me ao amor de Deus Pai. Não posso construir a minha fé pessoal em um diálogo privado com Jesus, porque a fé é doada a mim por Deus através de uma comunidade que é a Igreja e me insere assim na multidão dos fiéis, em uma comunhão que não é só social, mas enraizada no amor eterno de Deus, que em Si mesmo é comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, é Amor trinitário. A nossa fé é verdadeiramente pessoal somente se é também comunitária: pode ser a minha fé somente se vive e se move no “nós” da Igreja.

O Catecismo da Igreja Católica resume claramente assim: “‘Crer’ é um ato eclesial. A fé da Igreja antecede, gera, apoia e nutre a nossa fé. A Igreja é Mãe de todos os crentes. ‘Ninguém pode dizer ter Deus como Pai se não tem a Igreja como Mãe’ (São Cipriano). Também a fé nasce na Igreja, conduz a ela e vive nela. É importante recordar isso.

O LUGAR DA FÉ
A Igreja, portanto, desde o início, é o lugar da fé, o lugar da transmissão da fé, o lugar onde, pelo Batismo, se é imerso no Mistério Pascal da Morte e Ressurreição de Cristo, que nos liberta da escravidão do pecado, nos doa a liberdade de filhos e nos introduz da comunhão com o Deus Trinitário. Ao mesmo tempo, estamos imersos na comunhão com os outros irmãos e irmãs de fé, com todo o Corpo de Cristo, retirados do nosso isolamento.

O Concílio Ecumênico Vaticano II o recorda: “Deus quis salvar e santificar os homens não individualmente e sem qualquer ligação entre eles, mas quis constituir deles um povo, que o reconhecesse na verdade e fielmente O servisse” (Const. Dogmática Lumen Gentium, 9)

É interessante notar que no Novo Testamento, a palavra “santos” se refere a cristãos como um todo e, certamente, nem todo mundo tinha as qualidades para ser declarado santo pela Igreja. O que se queria indicar, então, por este termo? O fato de que aqueles que viviam a fé no Cristo ressuscitado eram chamados a se tornar um ponto de referência para todos os outros, colocando-os em contato com a Pessoa e a Mensagem de Jesus, que revela o rosto do Deus vivo. E isso vale também para nós: um cristão que se deixa guiar e plasmar pouco a pouco pela fé apesar de suas fraquezas, suas limitações e suas dificuldades, torna-se como uma janela aberta à luz do Deus vivo, que recebe essa luz e a transmite ao mundo. A fé se fortalece doando-a. A tendência, hoje generalizada, de relegar a fé ao âmbito privado, portanto, contradiz a sua própria essência da fé.

PARA REFLETIR:

1-Façamos a nós mesmos a pergunta do Papa: minha fé tem um caráter individual? Vivo a minha fé sozinho?

2-As células tem aproximado você da vida da Igreja ou elas se tornaram uma “ilha” de vivência da fé?

3-Qual a importância da Igreja para sua vida?

 

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