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O que significa fazer a Páscoa? (Jo 13,1-15)           
(O que diz o texto?)

Queridos irmãos e irmãs,
Nestes próximos dias, com o Domingo de Ramos, daremos início à Semana Santa na qual vivenciamos todo mistério pascal que plenifica de sentido o domingo da Ressurreição. Sem percorrermos este itinerário não temos possibilidade de compreender em que consiste a nossa Páscoa.

É certo que para muitos cristãos, fazer a Páscoa significa apenas confessar-se e comungar. Repetem esse rito ano após ano sem que aconteça um verdadeiro êxodo, permanecendo no deserto espiritual de sempre. Poderíamos nos colocar três perguntas nesta nossa reflexão de hoje: que significa para os hebreus, a primeira vez, fazer a Páscoa? Que significa para Jesus fazer a sua Páscoa? Que significa para nós hoje fazer a Páscoa?

Para os hebreus, primitivamente fazer a Páscoa era celebrar um rito comum, onde matava-se um cordeiro que era comido junto em sinal de solidariedade, invocando a proteção de Deus antes de se separar para procurar novas pastagens ao chegar a primavera. O livro do Ex 12,1-14 narra-nos o novo sentido da Páscoa para o povo judeu: a passagem do Mar Vermelho, que marcou uma passagem mais profunda, da escravidão para a liberdade. Este povo se torna livre para servir a Deus, rebela-se contra seus opressores e vai para o horizonte sem fim do deserto onde seu Deus os espera. Passam por tentações de voltar atrás e tornar-se escravo de novo, porém atravessam o deserto até chegar à Terra Prometida. Para eles, fazer a Páscoa foi mais do que celebrar um “rito”, mas sobretudo, realizar mesmo “uma passagem”.

Para Jesus, fazer a Páscoa também significou, num primeiro momento, celebrar “um rito” com seus pais (cf Lc 2,41), depois com seus discípulos. Lucas conta que Jesus desejou comer com os discípulos a Páscoa (cf Lc 22,15). Mas por que a teria desejado tanto? Porque nesta Páscoa ele teria transformado a figura em realidade, pois ele era o Cordeiro de Deus, do qual o cordeiro pascal do antigo rito era um pálido símbolo.
Naquela noite, Jesus celebra a nova ceia pascal, a Eucaristia, na qual se come a carne do Cordeiro imolado e se recebe o seu sangue, carregando o memorial antigo de um novo e imenso conteúdo, do qual se fará memória até o dia da sua vinda. A ceia do Senhor é passagem de toda a humanidade da escravidão dos pecados para o perdão e a aliança. Porém, a Páscoa de Jesus não acaba aí, pois João a define como a passagem deste mundo ao Pai (Jo 13,1), passagem da morte para a vida, um morrer para ressurgir. Não é uma passagem sem dor, sem angústia, sem crise, mas através da Paixão passou deste mundo ao Pai, abrindo o caminho para nós, que cremos em sua ressurreição, porque passamos nós também da morte para a vida.

E para nós, o que significa fazer a Páscoa? Também celebramos ritos que não podemos desprezar porque são repletos de significados: a quaresma, a penitência, o batismo ou sua renovação, a Eucaristia que repete a ceia pascal de Cristo. Devemos, no entanto ter presente que podemos fazer tudo isso, sem omitir nenhuma só cerimônia e ainda assim não fazer a Páscoa... Porque fazer a Páscoa implica em fazer “uma passagem” nova e diferente, do homem velho ao homem novo, do movo de viver do mundo e para o mundo para o modo de viver para o Pai. Abrir-nos a Deus, encaminhar-nos a Ele, talvez seja o sentido mais profundo da mensagem pascal. Certamente haverá desertos e dores, mas haverá ressurreição.

PARA REFLETIR:
Como você tem vivido o mistério pascal nos anos anteriores?
Que “passagem” você quer fazer na sua Páscoa deste ano?