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É o Senhor quem conduz nossas obras  (At 7, 20-38)        

Introdução: No discurso pronunciado diante do Sinédrio, Estevão faz uma síntese da história do povo hebreu. Mais da metade é dedicada a Moisés, cuja vida é dividida em três partes de quarenta anos cada uma que, segundo o simbolismo bíblico, indicam três períodos completos e distintos.

Os primeiros quarenta anos: “é o tempo em que Moisés passa no Egito, na corte do Faraó, onde recebe profunda formação da cultura dos egípcios e é forjado para ser chefe, de modo que ele se torna “poderoso nas palavras e nas obras” (At 7,22). Quando adulto pensa ter entendido tudo, sente-se capaz de enfrentar a vida e capaz de exercer o poder. Mas Moisés permaneceu arraigado às suas origens. Um dia decide fazer uma visita aos seus irmãos, os filhos de Israel, e vendo que um deles está sendo tratado indignamente, toma a dianteira e o defende, matando o egípcio. Moisés sente-se motivado pelos altos ideais, mas sua formação, construída longe do povo, o leva a sentir-se o justiceiro em nome de Deus. Os tempos e métodos previstos por Deus para libertar o povo hebreu não coincidem com aqueles de Moisés:  ao invés do caminho mais longo do diálogo e da confrontação, ele prefere tomar o caminho mais curto, o caminho do resultado imediato, usando o método da violência. Seu generoso empenho se frustra e sua iniciativa cai por terra: para Moisés, desiludido e amargurado com aquele que era seu projeto pessoal, não resta senão a fuga.

Dos quarenta anos aos oitenta: Depois de ter criado inimizade com o Faraó, com a morte do egípcio e depois de ter sido afastado pelos seus conacionais, Moisés foge para o deserto de Madiã. Moisés “sentado à beira do poço” (Ex 2,15) é a fotografia mais emblemática do fugitivo, cansado e destruído em sua moral. O homem poderoso nas palavras e nas obras agora leva a pastar as ovelhas do seu sogro Jetro; o “vice-rei” com perspectivas políticas e militares sem medidas, agora se retira à vida privada; a pessoa generosamente empenhada com outros, agora pensa só em si mesma. O tempo das grandes iniciativas freqüentemente é seguido por tempos voltados à ação pessoal. Pode ser um período vivido de modo egoísta e superficial, quase como uma compensação do tempo não dedicado a si, ou então, pode ser um tempo de graça, para uma purificação daquela convicção de sentir-se indispensável e dono do mundo. É o tempo de busca, de libertação da mentalidade e dos pecados que desenvolvem e crescem dentro do coração humano.

Os últimos quarenta anos: com oitenta anos, Moisés ainda tem olhos bem lúcidos para ver uma sarça ardente que não se consome; tem ouvidos vigilantes para escutar a voz de Deus que chama. Mas a busca necessita de empenho pessoal, e Moisés não tem medo de deixar a gostosa sombra de sua tenda para enfrentar o calor do deserto.
Deus tinha pedido a Moisés para voltar ao Egito e tornar-se guia do seu povo. É uma vocação de grande responsabilidade que exige disponibilidade no serviço e em carregar a sua cruz. Deus está chamando justo ele, o libertador não aceito, o pastor desiludido em terra estrangeira. Deus precisa dele para realizar o seu projeto de libertação do seu povo.

Conclusão: Agora Moisés tira as sandálias dos pés. Livre da presunção de ser ele o salvador de seus irmãos, apresenta-se despojado diante do Senhor: somente assim ele pode ser um instrumento dócil nas mãos de Deus e um sinal de sua misericórdia. Aquilo que Moisés não havia conseguido obter mediante a violência, agora ele obtém pela força da palavra de Deus. Moisés é profeta, portador da Palavra de Deus que orienta, mostra o caminho e traz esperança.

Para refletir:

  1. De que maneira esses três períodos da vida de Moisés acontecem hoje em nossa vida?
  2. Em quem você põe sua confiança na realização dos seus projetos?
  3. Existe uma complementaridade de vida entre a missão e a espiritualidade?

09/11/2009

Consulte a página 2 do Informativo e veja o roteiro de meditação diária com a Palavra de Deus.     

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