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DAR POUSADA AOS PEREGRINOS (Levítico 19,33-34)

O que diz este texto?

Queridos irmãos e irmãs, muitas são as páginas bíblicas que recomendam a hospitalidade aos peregrinos. Mas, quem é esse peregrino? E porque é preciso dar-lhe hospitalidade?

No mundo bíblico, o estrangeiro é o “desconhecido de passagem”, que invoca ser hospedado por uma noite: mas quem o conhece? Por isso, é acolhido com desconfiança, pois a gente não sabe quem ele é, não conhece suas intenções e seus costumes.

Na sociedade hebraica, o imigrante não era realmente tratado como escravo, mesmo assim, não tinha todos os direitos civis. Páginas como essas que a Bíblia relata permanecem também em nossa história. Nestes nossos tempos, o peregrino é o migrante refugiado que foge da guerra da Síria, por exemplo, ou tantos outros que fogem das violências, ditaduras e perseguições políticas ou religiosas em sua terra natal.

Estrangeiros para os outros, mas não para Jesus. Para Jesus, o desconhecido que pede hospitalidade, o imigrante que pede para ser recebido é um membro da própria família. Deveríamos vê-los como irmãos, nós também, mas nossos discursos tem sido outros...

O que significa, que sentido tem, “dar hospitalidade”? Claro que o sentido da palavra “hospitalidade” é mais amplo do que o gesto de dar uma simples ajuda, pois o que precisa é se “abrir para a pessoa” e não somente para as suas necessidades. Acontece fácil de ajudar alguém sem dar-lhe um verdadeiro acolhimento. Acolher é criar espaço na própria cidade, nas próprias leis, na própria casa, no próprio tempo e na roda das próprias amizades. A caridade é bem diferente da filantropia. A caridade envolve e cria laços. A filantropia não passa de um gesto sem amor... A bíblia nos dá sugestões concretas:
“Não explore o imigrante e nem o oprima, porque vocês foram imigrantes no Egito” (Ex 22,20)

“Quando vocês fizerem a colheita da lavoura nos seus terrenos, não colham até o limite do campo: não voltem a colher o trigo que ficou para trás, nem as uvas que ficaram no pé; também não recolham as uvas caídas no chão, deixe tudo isso para o pobre e o imigrante. Eu sou Javé, o Deus de vocês” (Lv 19, 9-10)

Poderíamos ler ainda tantos outros textos que falam do imigrante.... Há uma constância e insistência sobre este tema, uma motivação continuamente repetida, séria, teológica. Não se trata de uma simples recordação da própria escravidão na terra do Egito, mas é um contínuo aviso sobre o que Deus operou e Israel experimentou. A lição nos vem da conduta de Deus: de como Ele se comporta com os imigrantes. Aí está a razão da pergunta de Jesus: “Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, sem roupa e te vestimos? ” (Mt 25,38)

Na lógica bíblica, a fé é, em primeiro lugar, uma hospitalidade. Hospitalidade ao Deus que vem, que passa, que visita... E sempre em figura de andarilho que vem, sem papéis, perguntar-nos se é por ali o caminho, na esperança de que O convidemos a entrar e Lhe lavemos os pés. Ensinar ao Coração o medo dos estranhos é tapar-lhe os olhos ao Deus andarilho que anda por aí, romeiro, desconhecido, um Deus falante de outras línguas e com sotaques do mundo inteiro. ” (Ruy Santiago)

PARA REFLETIR:

1-Sua família já foi de alguma forma migrante? Partilhe o que sabe dessa experiência.

2- Como a Palavra de Deus nos ajuda a superar os preconceitos com os migrantes?