Estudo Semanal
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CUIDAR DA CRIAÇÃO DE DEUS (Gn 2,15)

Queridos irmãos e irmãs,

Nas primeiras páginas da bíblia, o livro do Gênesis afirma que Deus colocou o homem e a mulher na terra para cultivá-la e guardá-la. Uma ordem que Deus deu não só no início da história, mas a cada um de nós, e que faz parte do seu projeto para fazer o mundo crescer com responsabilidade, transformá-lo em um jardim, um lugar habitável para todos.

O próprio verbo "cultivar" chama a atenção para o cuidado que o agricultor tem pela sua terra, para que ela dê frutos e os frutos sejam compartilhados. Quanta atenção, paixão e dedicação! E nós,  estamos fazendo o mesmo? Estamos mesmo cultivando e tomando conta da criação? Ou só estamos explorando e negligenciando?

A tendência nossa, de cidadãos do mundo, é a de nos deixar guiar muitas vezes pela arrogância de dominar, de possuir, manipular, explorar. O resultado é que não cuidamos da terra que Deus nos deu, não a respeitamos, não a consideramos um dom gratuito a ser preservado. Estamos perdendo a atitude da admiração, da contemplação, de escutar a criação.

CUIDAR DAS RELAÇÕES HUMANAS

Esta poluição na relação entre o homem e a criação se propaga na relação entre o homem e o próprio homem. Porque cultivar e tomar conta não inclui apenas a relação entre nós e o meio ambiente, mas também as relações humanas. Mais de um papa já falou, aliás, de "ecologia humana, intimamente ligada à ecologia ambiental".

O momento de crise que atravessamos é visível no ambiente, mas acima de tudo é visível no homem, numa sociedade em que a pessoa humana está em perigo. É urgente, portanto, uma ecologia humana, porque a causa da crise não é apenas uma questão de economia, mas social, de ética, de moral.

Apesar dos constantes apelos da Igreja, o sistema continua como antes, porque o que domina são as dinâmicas de uma economia e de um sistema de finanças sem ética. O que manda, hoje, não é o homem, é o dinheiro: o dinheiro é que manda! Deus, nosso Pai, deu a tarefa de cuidar da terra não do dinheiro. Deu esta tarefa a nós, homens e mulheres! Somos nós que temos essa tarefa... Homens e mulheres são sacrificados aos ídolos do lucro e do consumo. Se um computador estraga, é uma tragédia, mas a pobreza, as necessidades, os dramas de tantas pessoas acabam virando ‘normalidade’.

A CULTURA DO DESCARTÁVEL

Se numa noite de inverno morre uma pessoa isso não é notícia. Se em tantas partes do mundo há crianças que não têm nada para comer, isso não é notícia. Parece normal. Mas o mundo não pode continuar assim, considerando normal que moradores de rua morram de frio, ao mesmo tempo em que acha uma tragédia se a bolsa de valores cai 10 pontos.

Devido a essa "cultura" contaminante, nós, as pessoas, somos descartados, como se fôssemos sobras. A vida humana, a pessoa humana, não é mais percebida como valor primário a ser respeitado e protegido, especialmente se é pobre ou deficiente, ou se ‘ainda não é útil’, como o nascituro, ou se ‘não serve mais’, como os idosos. Essa cultura do descartável nos tornou insensíveis até mesmo ao desperdício de alimentos que são esbanjados enquanto, em todas as partes do mundo, muitos indivíduos e famílias inteiras passam fome e sofrem desnutrição.

Na última semana refletimos sobre o relato da multiplicação dos pães. Ao seu final Jesus pede aos discípulos que não deixem nada ser desperdiçado. Esta passagem nos diz que quando o alimento e também os outros recursos, de uma forma geral, são compartilhados de forma justa, solidária, ninguém fica privado e cada comunidade pode satisfazer as necessidades dos mais pobres.

A ecologia humana e a ecologia ambiental caminham juntas. Todos nós devemos nos comprometer a sério em respeitar e preservar a criação de Deus, de estar sempre atentos a cada pessoa, de combater a cultura do desperdício e do descartável, para promover uma cultura da solidariedade e do encontro.

PARA REFLETIR:

1-De que forma a sua vida é impactada pela cultura do consumismo?

2-Você é capaz do cuidado pelos outros ou sua preocupação se restringe “aos seus”?

3-De que forma você pensa e/ou age com relação às necessidades dos mais desfavorecidos? Como você pode ajudar a cuidar da dignidade humana destes irmãos?