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O Cristo das estradas (Mc 6,7-13)

Caros irmãos e irmãs deste povo a caminho,

A experiência do seguimento de Jesus é uma experiência de travessia, onde cada um constrói seu caminho, diferente, original, como Cristo.

A palavra “caminho” concentra em si uma das mais profundas experiências do ser humano. Viver é caminhar, nossa vida é uma longa jornada.

Qual é o caminho da vida? É a própria vida, ou seja, o modo como se vive constitui o caminho da vida; isso revela que cada ser humano é essencialmente um caminhante; ele não recebe a existência pronta; não possui ainda a vida em plenitude.

Mais importante que percorrer um caminho é “fazer caminho”. Percorrer um caminho é andar por sendas abertas por outros e já palmilhadas pela tradição. O risco é menor e a certeza mais consistente.

Mas, abrir caminho é explorar o desconhecido, enfrentar perigos e correr riscos. Isto constitui o “meu caminho” e a “minha direção” na vida. Nosso caminho pessoal tem de ser desbravado com criatividade, ousadia e destemor. Cada um tem que caminhar. Cada um tem que fazer caminho. Mesmo que o caminho dos outros nos tenha inspirado a marchar com mais força e determinação, cada um de nós tem que mover os próprios pés, para reconhecer o ritmo da vida.

Caminhos de encontro
A Sagrada Escritura é atravessada pela revelação de um Deus que também empreendeu um caminho em direção à humanidade. O ser peregrino, por parte do ser humano, corresponde ao ser peregrino por parte de Deus. O caminho se converte, então, em caminho para um encontro mútuo, um encontro de dois peregrinos.
O cristianismo sempre foi entendido como Caminho e Seguimento de Jesus Cristo. Os Evangelhos não ensinam chegadas, só partidas. Esse é o desafio: “entrar” no caminho de Jesus é viver em terra de andanças. Nesse caminhar descobre-se Deus e com Ele todo o sentido do universo.

Jesus, o Homem dos Caminhos, chama para uma Vida nova. Chama na vida e para a vida e põe as pessoas em movimento, a caminho. A “pegada” que Ele deixa ao passar é sua própria Vida partilhada.

Jesus tem um sonho, um projeto, e surge diante das pessoas com força pessoal capaz de sacudi-las e colocá-las em movimento. Ele “passa” e sua presença as atrai arrancando-as da acomodação. Faz-se do chamado um caminho, quando se partilha a vida com quem chamou. Responder ao chamado feito por Jesus significa tornar esse chamado um caminho de entrega e de serviço.

Este Evangelho confirma que a missão requer andanças. A forma de realizar a viagem identifica o discípulo como representante do Reino. A disponibilidade para colocar-se em marcha deve ser total, imediata e sem distrações. Não há nada imprescindível para o trajeto senão a vontade de executar o percurso; as autênticas necessidades estão do outro lado do caminho, de maneira que Jesus nos mobiliza na atitude do despojamento como estratégia que evita o imobilismo e a lentidão do deslocamento.

Não levar nada para o caminho
Levar somente um cajado identifica o discípulo em sua missão itinerante e repele a sedução do sedentarismo. Os convites de Deus são absolutos e constantes. Se estamos apegados ao que temos, jamais seremos capazes de “fazer estrada com Deus” e participar da preciosa vida que Ele nos oferece.

Na estrada do peregrino, há o despojamento, a pobreza, por vezes a fome e a sede, os caprichos das estações, a incerteza dos dias de amanhã. Há a liberdade do espírito, horizontes infinitos, sem limites nem constrangimentos, os ímpetos de adoração, de oblação, de ação de graças. Há o imprevisto, o acontecimento inesperado, favorável ou adverso, que é o melhor e mais seguro dos sinais de Deus, que comanda o ritmo da marcha, as paradas, as estadias, as partidas, as mudanças de rumo ou itinerário.

Finalmente, a Estrada aproxima o peregrino cada instante da meta ainda escondida, mas certa. Ao voltar-se para trás, ele se dá conta de que o itinerário foi realmente maravilhoso, que a experiência o transformou, que está mais “puro”, mais “livre”, mais “autêntico”... numa palavra, que Deus, que está no têrmo, já palmilhava a estrada com Ele.

PARA REFLETIR:

1-Você assume sua vida cristã com a liberdade de quem decidiu seu próprio caminho ou é “empurrado” pelos outros no caminho?
2-Há criatividade e despojamento no seu caminho de vida ou a acomodação tomou conta dos seus pés?
3-Que novos caminhos você tem aberto na sua vida?

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