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O Cristão e a Lei (Mt 5,17-37)

Queridos irmãos e irmãs,

O sermão de hoje de Jesus nos dá a oportunidade de refletir sobre qual deve ser a atitude do cristão diante da LEI DE DEUS. Para muitos, é um tabu, uma série de proibições, que desaprovam muitas de nossas atitudes ou ações. Mas será esse o verdadeiro sentido dos Mandamentos?

Para o povo de Israel, o amor e a fidelidade à Lei constituíam toda a justiça e a santidade, apesar das muitas infidelidades que cometiam, reduzindo a Lei a uma observância puramente externa, sem uma convicção interior profunda. Jesus censura tal atitude: "Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus!"  Não é suficiente uma fidelidade material e externa da Lei. É preciso uma fidelidade mais profunda, que brote do nosso interior...

Jesus neste evangelho começa por apresentar 4 exemplos concretos mediante os quais ele proclama o sentido da nova Lei. Os últimos dois: Perdão no lugar de vingança e o Amor ao inimigo, em invés de ódio, ficam para a próxima semana.

1) HOMICÍDIO: "Ouvistes: Não matarás... aquele que matar terá de responder em Juízo." Mas Jesus vai mais fundo: "Todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, terá que responder em  juízo." Assim Ele condena todo tipo de morte: calúnia, mentira, fraude, ofensa... Se houvesse um Raio X capaz de mostrar o cemitério que criamos dentro de nosso coração, nós nos assustaríamos! Quantas pessoas estão mortas, para nós! Quem não mata cumpre a Lei, mas, se não arranca do seu coração a agressividade para com o seu irmão, não se parece com Deus.

2) ADULTÉRIO: "Ouvistes: não cometerás adultério..." e Jesus acrescenta: "Quem olhar para uma mulher com desejo desonesto já pecou em seu coração". Condena não só o ato consumado de adultério, mas também o desejo, o adultério de coração. Certas permissões já são adultério.  Não é uma questão de só manter escondido da esposa ou do esposo as infidelidades. "Se teu olho for ocasião de queda, corta-o". Não devemos tomar ao pé da letra, mas significa radicalidade no nosso modo de agir. Quem não comete adultério cumpre a Lei, mas, se deseja egoisticamente a esposa de seu irmão, não é semelhante a Deus.

3) DIVÓRCIO: "Ouvistes: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe um certificado de repúdio". A lei de Moisés "tolerava" o divórcio em certos casos (união ilícita), para preservar a mulher: direito de igualdade. Jesus amplia esta visão: "Todo aquele que repudia sua mulher, faz com que ela adultere; e quem se casa com ela, comete adultério". Jesus afirma a indissolubilidade do vínculo matrimonial. Sua intenção é preservar a família e o matrimônio, e não lançar um fardo pesado demais sobre nossos ombros.

A atitude pastoral diante desta realidade não pode ser de meros juízes, colocando o dedo na ferida; pelo contrário, nosso papel deve ser de acolher, escutar, ajudar, sempre a partir da verdade e evitando extremismos. Acolher, mostrando a essas pessoas que elas continuam sendo filhas de Deus e que fazem parte da Igreja. Escutar a história de cada uma, tendo misericórdia, colocando a dor do outro no nosso próprio coração. Ajudar tentando oferecer a ela o caminho de felicidade proposto por Cristo, não como uma carga na sua vida, mas como o modo de que encontre plenamente sua felicidade.

4) PERJÚRIO: "Ouviste: Não jurarás falso...” Jesus vai além:"Não jureis de modo algum. Vosso SIM seja SIM, vosso NÃO, NÃO." Jesus condena a falsidade. Se vivemos na verdade, por que é preciso jurar?

Não basta que em nosso coração reine a Lei, se não reina Deus. Não basta sermos observantes, se não sabemos amar. Não é só uma questão de viver corretamente, mas de ampliar o horizonte da Lei e construir um mundo mais humano. Quando se busca a vontade do Pai com a paixão que Jesus busca, sempre se vai além da Lei.

PARA REFLETIR:

1-Como você observa os Mandamentos? Com o espírito de obrigação do Antigo Testamento ou com a convicção profunda do amor de Deus por nós?

2- Como transformar as atitudes parecidas com a dos escribas e fariseus em atitudes de Jesus?

3– O que o evangelho de hoje nos ensina?

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