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  1. CORAGEM, LEVANTA-TE! ELE TE CHAMA! (Mc 10,46-52)

Caros irmãos e irmãs,
O texto desta semana nos narra a passagem do cego de Jericó com uma história parecida com a de milhões de homens e mulheres de ontem e de hoje, mas com uma diferença: a força de vontade.
Este cego estava sentado à beira do caminho, mendigando. É possível que, em virtude da sua cegueira, ele tivesse sido excluído do seu lar e vivesse, das esmolas dos passantes, por isso ele estava à beira do caminho.
Sentindo a presença de Jesus de Nazaré, pôs-se a gritar por ele, e enquanto muitos o repreendiam para que se calasse, ele gritava ainda mais alto. E o pior é que aqueles que o repreendiam eram os mesmos que seguiam Jesus, indiferentes à situação do próximo, indiferentes à miséria, a injustiça, aos sistemas de exclusão...
Com certeza, os que o repreendiam ficaram indignados, mas Jesus lhes ordenou: “Chamai-o!” Surpresos, alguns se apressaram e disseram: “Coragem, levanta-te, ele te chama!” Ele, jogando para trás o manto de cego, caminha na direção de Jesus. Jesus lhe pergunta: ”Que queres que eu faça por ti?” A resposta é simples: “Que eu veja!” A cura desperta a fé e o seguimento de um novo discípulo.
A cegueira era considerada fruto do pecado. O cego sofria uma série de restrições e muitos entendiam que a cegueira era um castigo pago pelo pecado dos pais sobre os filhos, netos e bisnetos (Ex 20,5).

  1. A COMPAIXÃO

O que importava era trazer de volta ao convívio fraterno e familiar todos aqueles que haviam sido banidos por preconceitos de pecado, que não passavam de manipulações ou falsas interpretações da imagem de Deus. É deste modo que muitos doentes viam Jesus, exatamente como esse Deus que ama e perdoa. Ao tomar conhecimento da proximidade de Jesus, eles rompiam as barreiras dos preconceitos e pediam acolhida: “Filho de Davi, Jesus, tem compaixão de mim!”
A expressão compaixão assume uma dimensão profunda de identidade do cego: a necessidade de superação dos preconceitos e a gratuidade de quem podia mudar a situação. O cego precisa de um gesto mais humano, mais divino, capaz de olhar para frente e não para trás. Ter compaixão é fazer um gesto do coração mais do que da razão.  Assim também deve ser o nosso modo de acolher os afastados, aqueles que se sentem rejeitados, aqueles que são alvo da nossa evangelização: buscando-os com a misericórdia de Jesus.

  1. JOGAR O MANTO PARA TRÁS

O manto da cegueira representa uma condição social de exclusão, limitação e dependência. A capa representa esta condição que ele, ao ouvir a resposta a seus gritos, acredita poder e dever abandonar. Jogando a capa ele joga atrás de si algo que não quer mais. Só jogando para trás, abandonando a situação anterior, é possível assumir, com coragem a nova condição de discípulo de Jesus. Quem não tem coragem de abandonar as coisas velhas não tem como assumir projetos novos. O desapego do passado, a superação, a consciência das mudanças são passos importantes para entender as coisas novas (Mt 13,51-52)

  1. ENXERGAR E VER

O dilema de toda a discussão bíblica em torno do ver refere-se não ao enxergar, mas ao discernir, isto é, a verdadeiramente ver. O cego quer ver, não apenas enxergar. Ele quer entender tudo a respeito do reinado de Deus, anunciado por Jesus Cristo. É a distinção entre cegueira física e cegueira espiritual.
A fé que este cego tinha permitiu-lhe enxergar, primeiro, com os olhos físicos e, em seguida, com os olhos da fé: “Vai, a tua fé te curou” (10,52).
É nesse sentido que podemos entender a frase atribuída a São Benedito: A fé nos guia, ilumina, purifica, salva e cura, enfim, onde ela falta, falta tudo, absolutamente tudo.
Agora temos um novo seguidor de Jesus. Pela compaixão e misericórdia, pela atenção ao problema pessoal deste homem, Jesus o ganhou para si. O caminho para Jerusalém era íngreme e árduo, mas ele não tem receio de colocar-se ao lado de Jesus nesta marcha. A subida na estrada pode ser considerada a metáfora das dificuldades que ele iria encontrar ao testemunhar sua própria conversão, sua mudança.


PARA REFLETIR:
1-Você alguma vez já teve que “lançar para trás a capa” para sair do próprio lugar e seguir Jesus?
2-O que este cego nos ensina a respeito do discipulado? O que a força de vontade dele te diz?
3- O que dizer do jeito de Jesus de tratar as pessoas?

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