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A conversão à fraternidade a partir de Eclesiástico (38,1-15)

Irmãos e irmãs em Cristo!

Nestas três semanas centrais da quaresma vamos escutar os apelos de Deus à nossa conversão no que diz respeito aos cuidados com a saúde e com os doentes.

O tema proposto pela Campanha da Fraternidade neste ano é: “Fraternidade e Saúde Pública” e tem como lema: “Que a Saúde se Difunda sobre a Terra” (cf. Eclo 38, 8).

1. Vivemos num mundo doente?

Experimente contar o número de farmácias espalhadas pelas ruas da cidade. Elas se alternam com os bares e agora também igrejas que vemos em cada esquina. Não é estranho buscarmos o remédio na drogaria? Isso nos remete a uma visão muito mais ampla do que a doença em si e nos faz refletir se cultivamos hábitos saudáveis, se trabalhamos na prevenção, ou se vivemos “perigosamente” e depois buscamos soluções fáceis na Drogaria, ou nos bares ou nos milagres oferecidos  pelas igrejas. Podemos abordar também a questão pelo ângulo dos comportamentos doentios, como a violência, a falta de respeito, o abandono de crianças e idosos, o “tirar vantagem”, enfim em toda forma que esvazia e adoece o ser humano.

Mas há que se reconhecer o lado “natural” da doença, própria das limitações do corpo humano.

2. A cura da doença e a saúde nas páginas do Antigo Testamento

Desde sua origem a humanidade procurou conservar a saúde, atacar e vencer as doenças que se manifestavam. Muitos povos passaram a acreditar que a doença surgia por causa da maldade e do pecado do ser humano (Judaísmo), por erros cometidos em outras vidas, por castigo de divindades ofendidas pela ação do homem, pela atuação de maus espíritos e demônios.

É no livro do Eclesiástico que vamos encontrar as mais belas citações que dizem respeito à cura da doença e à saúde. Vejamos esta: “é melhor a morte do que a vida cruel, o repouso eterno do que uma doença constante”.(Eclo 30,17)

Nesta passagem do livro do Eclesiástico a doença é caracterizada como o pior de todos os males. No capítulo seguinte encontramos: “As preocupações do dia não deixam dormir, e mais do que uma doença grave tiram o sono” (Eclo 31,2).

A leitura do texto bíblico vai mostrando que o Judaísmo entendia que a falta de saúde estava intimamente ligada à culpa e ao pecado. A pessoa tinha cometido algo errado ou até seus pais ou antepassados. Na oração buscavam obter a clemência de Deus e a cura.

3. A novidade no livro do Eclesiástico

Nas páginas do livro Eclesiástico encontramos um novo modo de entender a doença e mais ainda, um comportamento diferente na busca da cura. Deus é o autor de todo bem, é ele quem nos livra de todo mal. A orientação dada pelo Eclesiástico segue uma ordem bem específica: orar ao Senhor, participar de uma assembléia (sentido de incenso e de sacrifícios), afastar-se e purificar-se do pecado, e por fim, procurar um médico. Os remédios, os médicos e a ciência são vistos como possibilidades de cura e sabedoria vindas do próprio Deus e, consequentemente, devem ser buscadas sempre que necessário. A Sagrada Escritura vê o ser humano como um todo unitário. Cuidar apenas do corpo não é suficiente para a cura.

Apesar do esforço e do cuidado para evitar doenças, a fragilidade do corpo e do espírito acabam se revelando. E aqui se abre um enorme espaço para o exercício da nossa caridade quaresmal: se formos profissionais da saúde, precisamos cada vez mais realizar com amor a missão a que estamos destinados. Mas, sobretudo como cristãos, precisamos reconhecer também no doente, o rosto do Cristo, entendê-lo necessitado de cuidado, de atenção, de esperança. Foi o próprio Cristo que nos ensinou: “Eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber; eu era forasteiro, e me recebestes em casa; estava nu e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; na prisão, e fostes visitar-me” (Mt 25,35-36).

Na próxima semana vamos ver como Jesus, nas páginas do Novo Testamento, nos apresenta o modelo de cura integral da pessoa humana.

PARA REFLETIR:

1- Você enxerga na doença um castigo ou uma oportunidade de se aproximar de Deus e dos irmãos?
2- Você tem “cuidado” de Jesus através do seu cuidado aos doentes da sua família, da sua comunidade? A quem você tem servido?
3- De que formas a nossa célula pode ser sinal de Deus na vida dos doentes?

 

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