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Construindo caminhos (Jo 1,35-39)

Queridos irmãos e irmãs,

No decorrer dos tempos as verdades do mistério de Cristo nos foram transmitidas de diversas formas: pregação, testemunho dos mártires, músicas, festas, ritos litúrgicos,  piedade popular, no ensinamento dos catecismos... Hoje estas motivações já não são suficientes para despertar a fé, precisamos redescobrir outras aproximações que nos possibilitem, antes de tudo e através do testemunho e da vida de pessoas, um redirecionamento no seguimento de Jesus. Pois a fé se aprende, sobretudo, no modo de experiência partilhada, de percurso feito em companhia de irmãos e irmãs, cujo elo e força de viver são inspirados pelo Evangelho.

Mestre, onde moras?

Os discípulos de João não queriam apenas conhecer Jesus. Estavam interessados em entrar no seu mistério, em saber detalhes de sua vida: “Rabi, onde moras? Disse-lhes: vinde e vede. Então, eles foram e viram onde Ele morava, e permaneceram com Ele naquele dia”. O objetivo de Jesus é levar à fé os discípulos que o procuram. “Eles foram e viram”, isto é, conheceram, pela fé, o caminho que leva à morada de Jesus. “Permaneceram com Ele” é uma aproximação íntima e um relacionamento de instrução iluminado pela revelação da Boa Nova.

“Encontrar” e “permanecer” são o objetivo da iniciação cristã de adultos. A residência de Jesus não é um espaço físico, mas a descoberta da sua verdade para nortear o início do percurso. Tudo deve partir da realidade das pessoas, de suas angústias, dúvidas, incertezas, como aconteceu com os discípulos de João, traçando um percurso a partir do ponto zero: refazer o caminho para encontrar a habitação de Jesus. Não é apenas uma catequese pré-elaborada, pré-definida, engessada, mas partilhada e desenvolvida no contexto do Evangelho, fazendo uma empatia da própria vida com a vida de Jesus para encontrar respostas.

Começando o percurso

Em At 8, 26-40 vemos o diácono Felipe ensinando um novo caminho ao funcionário etíope, fora das regras rígidas do templo de Jerusalém. Uma estrada deserta de início, mas onde o Espírito precede sem cessar, prepara e surpreende. Surge um encontro no meio do percurso. São pequenas e poucas ocasiões que acontecem, fragmentos de vida que surgem ao acaso, mas podem definir um novo caminho. Aquele foi o momento insubstituível que mudou a vida do etíope, um encontro que traçou nova direção. Apenas o tempo de conversar, de parar, de tocar a fonte, de amar e saber-se amado, de ir embora leve depois da descoberta do Deus que marcara aquele encontro. Poder prosseguir na alegria de novas estradas, antes nas dúvidas e solidão, agora iluminadas pelos raios de uma nova vida.

Às vezes somos tão formalistas que desprezamos as ocasiões. Ficamos muito tempo planejando, revisando, esquematizando... A iniciação começa do começo. É agora e não depois. Quando alguém bate à porta, espera que lhe seja aberta (nós temos aprendido isso na experiência das células!). Quando somos impulsionados, como aconteceu com Filipe, devemos nos levantar e dar aquilo que nos é pedido: o percurso e os meios para se chegar à maturidade da fé. O local do encontro pode ser no deserto das pessoas, na madrugada de tantas vidas, no alvorecer de um novo dia. O local de chegada é onde se pode beber água de um poço que jorra para a vida eterna. Pela Palavra chega-se aos sacramentos. A Iniciação acontece em passos, em tempos, cada um tem o seu ritmo, não há de se atropelar os passos. A passagem de um tempo para o outro é o tempo da resposta e disposição de cada um. Passo a passo num caminho orante, celebrativo, bíblico, vivencial, transformador!!

PARA REFLETIR:

1- Você se entende responsável pelo acompanhamento da caminhada dos que estão se iniciando na fé?

2-Que sentimento vem ao seu coração ao ver se afastarem da comunidade os que receberam os sacramentos?

3- Há pessoas do seu relacionamento que ainda não foram iniciadas na fé? O que fazer por elas?    

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