Estudo Semanal
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COMO FALAR DE DEUS? (2Cor 4,1-6)

Queridos irmãos e irmãs,

Todos nós cristãos, que nos sentimos comprometidos com a evangelização, temos uma questão que nos incomoda: “como falar de Deus no nosso tempo? Como comunicar o Evangelho aos corações muitas vezes fechados dos nossos contemporâneos e às suas mentes distraídas pelas numerosas luzes da sociedade?”

A primeira resposta é que nós podemos falar de Deus, porque Ele falou conosco. Portanto, a primeira condição para falar de Deus é a escuta daquilo que o próprio Deus disse. Deus falou conosco! Portanto, Deus não é uma hipótese distante sobre a origem do mundo; não é uma inteligência matemática distante de nós. Deus interessa-se por nós, ama-nos, entrou pessoalmente na realidade da nossa história e comunicou-se a si mesmo a ponto de se encarnar. Portanto, Deus é uma realidade da nossa vida, é tão grande que tem tempo também para nós, preocupa-se conosco.

CONHECER O JESUS DOS EVANGELHOS

Em Jesus de Nazaré nós encontramos o rosto de Deus, que desceu do seu Céu para se imergir no mundo dos homens, no nosso mundo, e para ensinar a «arte de viver», o caminho da felicidade; para nos libertar do pecado e para nos tornar filhos de Deus (cf. Ef 1,5; Rm 8, 14).

Por isso, falar de Deus exige uma familiaridade com Jesus e com o seu Evangelho, supõe um nosso conhecimento pessoal e real de Deus, e uma forte paixão pelo seu desígnio de salvação. O método de Deus é o da humildade — Deus faz-se um de nós. Ao falar de Deus, na obra de evangelização, sob a luz do Espírito Santo, é necessária uma recuperação de simplicidade, um retorno ao essencial do anúncio: a Boa Notícia de um Deus que é real e concreto, um Deus que se faz próximo de nós em Jesus Cristo até à Cruz, e que na Ressurreição nos doa a esperança e nos abre para uma vida que não tem fim.  

UM GRANDE COMUNICADOR

O apóstolo Paulo oferece-nos uma lição que vai precisamente ao cerne da fé, do problema de «como falar de Deus» com grande simplicidade. Na 1ª Carta aos Coríntios, (2, 1-2) ele escreve: «Também eu, quando fui ter convosco, irmãos, não fui com o prestígio da eloquência nem da sabedoria, anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado».

Portanto, a primeira realidade é que Paulo não fala de uma filosofia por ele desenvolvida, não fala de idéias que encontrou ou que inventou, mas fala de uma realidade da sua vida, fala do Deus que entrou na sua vida, fala de um Deus real que vive, falou com Ele e falará conosco. Fala do Cristo crucificado e ressuscitado.

A segunda realidade é que Paulo não quer criar para si um grupo de admiradores, não quer entrar na história como chefe de uma escola de grandes conhecimentos, mas ele anuncia Cristo e deseja conquistar as pessoas para o Deus verdadeiro e real. Fala só com o desejo de anunciar aquilo que entrou na sua vida, e que é a vida autêntica, que o arrebatou no caminho de Damasco. Portanto, falar de Deus quer dizer desalojar o próprio eu, oferecendo-o a Cristo, na consciência de que não somos nós que podemos conquistar os outros para Deus, mas devemos esperá-los do próprio Deus, invocá-los dele. Portanto, o falar de Deus nasce da escuta, do nosso conhecimento de Deus que se realiza na familiaridade com Ele, do “estar na Sua presença”.

Também para nós, comunicar a fé, deve ser, como para são Paulo, não anunciar-se a si mesmo, não uma opinião, mas uma experiência, (partilhar daquilo que vimos e sentimos no encontro com Cristo) de forma que o nosso testemunho possa conduzir as pessoas a Jesus, primeiro princípio da missão das nossas células. Se O pusermos no centro, Ele e não nós, tanto mais a nossa comunicação será frutuosa. 

PARA REFLETIR:

1- Você tem dificuldade de falar de Deus com as pessoas que vivem afastadas da fé?
2- Você tem se esforçado por conhecer melhor o evangelho de Jesus para poder anunciá-lo sempre com mais verdade?
3-Ao evangelizar, quem é o centro da sua fala: Jesus ou você? A quem você conduz as pessoas?