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Caminhar ao encontro do Senhor que vem ( Lc 21,25-28.34-36)

Caros irmãos e irmãs,

Iniciamos, mais uma vez, um novo ano litúrgico. Cada ano litúrgico começa com o Advento – palavra que significa “vinda, chegada”, a chegada de Jesus Messias na festa de Natal, comemoração de seu nascimento.
Desde o início deste novo ano, a liturgia suscita em nós a esperança da Justiça de Deus que vai chegar. Justiça não significa simplesmente aplicar as leis da sociedade, pois essas nem sempre são justas (muitas vezes são feitas para justificar o direito do mais forte). Na bíblia, justo é o que é bom e benfazejo conforme a vontade de Deus. A justiça é a vitória do projeto de Deus.

Jesus fala de "sinais terríveis no céu e na terra, anunciando a vinda do filho do Homem", isto é, o próprio Jesus, a quem Deus deu o poder sobre a humanidade. Isso não nos deve assustar. Pelo contrário! Se estivermos comprometidos com a justiça do Reino de Deus, poderemos "ficar em pé" diante dele. Se estivermos colaborando para que a nossa cidade se possa chamar "justiça de Deus" - e não apenas "capital do boi" ou "das abóboras" -, a vinda do Filho do Homem será nossa grande alegria.

A chegada de Deus até nós

Neste tempo do Advento vamos colaborar com Ele, realizar a nossa parte da aliança: justiça social, pão para todos; transformar os mecanismos falhos, as estruturas injustas de nossa sociedade; endireitar as relações com os nossos semelhantes; empenhar a nossa vida por nos tornarmos mutuamente irmãos de verdade, felizes, consolados, amparados uns pelos outros.

O ano C é o ano de Lucas, evangelista da “manifestação da vontade de Deus e de seu amor pela humanidade” (Tt 3,4), evangelista dos pobres e dos pecadores, dos pagãos e dos valores humanísticos, como também das mulheres, especialmente, de N. Senhora. Seu evangelho faz de Jesus não apenas o Messias (Mc), o Mestre (Mt), mas o Fiel, que nos serve de modelo em nossa caminhada, o homem de oração, de ternura humana, de convivência fraterna, mas também o profeta por excelência, o novo Elias, o porta-voz credenciado do Altíssimo. Assim, o ano C que agora iniciamos, será o ano da prática cristã segundo o modelo de Cristo.

Preparados para receber a visita

A destruição de Jerusalém (ocorrida em 70 d.C.) ainda não era o fim (Lc 21,20-24). Haverá sinais maiores ainda, que aterrorizarão os homens em geral, porém, levarão os fiéis a olhar com mais esperança ainda para o Filho do Homem, que vem julgar e consumar a História. O cristão sabe que ele não está entregue ao caos. Também não se deixa surpreender. Fica firme, não porque “é o único jeito”, mas porque confia na palavra do Senhor. (Lc 21,25-28).

Quando se aproxima uma visita esperada, a maioria das pessoas não dorme muito bem. Quando a visita é temida, as pessoas ficam inquietas. Quando é desejada, ficam agitadas... Porém, há uma diferença: a tensão do medo paralisa, a tensão do desejo desperta a criatividade. O evangelho alude as duas atitudes. Anuncia cataclismos cósmicos, que encherão os homens de medo (Lc 21,26). Mas para os cristãos tudo isso significa: “Coragem: vossa salvação chegou!” (Lc 21,28). Por isso, o cristão vive à espera “daquele dia” num espírito de “sóbria ebriedade”, fazendo coisas que ninguém faria, mas sabendo muito bem o porquê.

Ora, nós esperamos uma visita querida e ficaríamos muito pesarosos se o visitante não nos encontrasse despertos para sua vontade, mas apenas ocupados com nossos próprios caprichos. Paulo descreve maravilhosamente essa realidade na sua carta escatalógica por excelência, a 1Ts. Na ânsia pela vinda do Senhor, sempre podemos crescer mais, e é Ele que nos deixa crescer, para que sua chegada seja preparada do modo mais perfeito possível. Não somos perfeitos, mas nem por isso a perfeição deixa de ser nossa vocação.

Sirva-nos este tempo de advento para refletir que o caminho do cristão não consiste numa perfeição alcançada e acabada, mas numa contínua conversão para a santidade de Deus, que é sempre maior do que nós. O importante é nunca ficarmos satisfeitos com o que fizemos e somos, mas cada dia de novo procurar voltar daquilo que foi errado e progredir naquilo que foi bom.

PARA REFLETIR:

1- Diante dos “cataclismos” da atualidade, mantemos nossa esperança em Jesus que nos vem?
2- Você tem se mantido desperto para a vontade do Senhor que vem, ou está só preocupado com suas próprias coisas?
3-Qual sua proposta de conversão neste advento?

 

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