Estudo Semanal
Home - Evangelização em Células - Estudo Semanal

CAMINHANDO COM OS DISCÍPULOS (Lc 24,13-35)

Caros irmãos e irmãs, o episódio de Emaús é sempre uma nova lição para nós. Parece-nos ver retratada nele a própria realidade que nos cerca.

Os dois discípulos escapam de Jerusalém. Afastam-se escandalizados com o falimento do Messias, em quem haviam esperado e que agora aparece irremediavelmente derrotado, humilhado. O mesmo mistério difícil das pessoas que abandonam a Igreja; de pessoas que, após deixar-se iludir por outras propostas, consideram que a Igreja – a sua Jerusalém – nada mais possa lhes oferecer de significativo e importante. E assim seguem o caminho sozinhas, com a sua desilusão.

Talvez a Igreja lhes pareça muito frágil, talvez muito longe das suas necessidades, talvez demasiado pobre para dar respostas às suas inquietações, talvez por demais fria para com elas, talvez prisioneira de uma linguagem rígida, talvez a Igreja pareça ter respostas para a infância do homem, mas não para sua idade adulta...

HOJE HÁ MUITOS COMO OS DISCÍPULOS DE EMAÚS

Faz falta uma Igreja que não tenha medo de entrar na noite deles. Precisamos de uma Igreja capaz de encontrá-los em seu caminho, capaz de inserir-se na sua conversa. Precisamos de uma Igreja que saiba dialogar com aqueles discípulos, que, fugindo de Jerusalém, vagam sem meta, sozinhos, com seu próprio desencanto.

A globalização, com todas as suas potencialidades sem dúvida diminui as distâncias, aproxima as pessoas da cultura e permite o acesso à informação e ao serviço. Mas muitos vivem seus efeitos negativos sem dar-se conta do quanto eles prejudicam a própria visão do homem e do mundo. Há uma desintegração pessoal, a perda da experiência de pertencer a um “ninho” onde se é acolhido; há uma carência de laços profundos.

Diante desse panorama, precisamos ser esta Igreja capaz de fazer companhia, de ir além da simples escuta; uma Igreja que acompanha o caminho pondo-se em viagem com as pessoas, uma Igreja capaz de decifrar a dor contida na fuga de tantos irmãos e irmãs de Jerusalém.

JESUS DEU CALOR AO CORAÇÃO DOS DISCÍPULOS

E nós, somos ainda uma Igreja capaz de aquecer o coração? Uma Igreja capaz de reconduzir à Jerusalém? Em Jerusalém residem as nossas fontes: Escritura, catequese, sacramentos, comunidade, amizade do Senhor, Maria e os apóstolos... Somos ainda capazes de viver e anunciar de tal modo essas fontes, que despertem o encanto pela sua beleza?

Muitos se foram porque lhes foi prometido algo de mais alto, algo de mais forte, algo de mais rápido. Mas haverá algo de mais alto que o amor revelado em Jerusalém? Nada é mais alto do que o abaixamento da Cruz, porque lá se atinge verdadeiramente a altura do amor! Somos ainda capazes de mostrar essa verdade para aqueles que pensam que a verdadeira altura da vida esteja em outro lugar?

Por acaso se conhece algo de mais forte que a força escondida na fragilidade do amor, do bem, da verdade, da beleza?
A busca do mais rápido atrai o homem de hoje, mas a Igreja precisa ser lenta no tempo para ouvir, na calma para sintonizar o passo com as possibilidades dos peregrinos, com seus diferentes ritmos de caminhada. Recuperemos a capacidade de estar sempre perto para permitir a eles abrirem uma brecha no desencanto que existe nos corações, para que possamos entrar e levar a Fonte que sacia suas sedes. Precisamos voltar a ser essa Igreja que dá calor e inflama o coração!

PARA REFLETIR:

1- Somos ainda uma Igreja capaz de aquecer o coração?
2-O que devemos fazer diante de tantas pessoas que se afastam da Igreja e da fé?
3-O que aprendemos com a reflexão de hoje?

 

voltar