Estudo Semanal
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BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR! (Lc 19,35-38)

Queridos irmãos e irmãs,

Neste Domingo de Ramos, ao adentrar as portas da igreja com os ramos de oliveira e as palmas, demos um duplo testemunho acerca do Senhor: confessamos o Messias, o Ungido, e demos testemunho de seu triunfo sobre a morte, porque temos compreendido o significado de seu último sinal que foi o despertar de Lázaro.
Estamos na Semana Santa e este curto tempo está marcado por acontecimentos misteriosos, aparentemente contraditórios, pouco claros para a nossa mente “pragmática” e “realista”.

O Senhor avança e entra triunfalmente em Jerusalém e é recebido como um rei vitorioso. Não obstante, montado num jumento, se apresenta como um soberano humilde, não-violento. E isto já nos adverte que seu reino não é deste mundo (Jo 18,36).

Jesus recebe silencioso todas estas aclamações do povo e, ante a curiosidade de alguns gregos que querem vê-lo, diz umas palavras que, até mesmo para os discípulos mais próximos são, no mínimo, enigmáticas: “É chegada a hora em que o Filho do Homem será glorificado. Amém! Amém! Digo-vos: se o grão de trigo caído na terra não morre, fica só; mas se morre, dá muito fruto”.(Jo 12, 23-24).

Seus discípulos, certamente se perguntariam: Como pode ser que o Senhor, que acaba de ressuscitar Lázaro, e que hoje é aclamado pela maioria do povo de Israel, nos diga agora que sua glorificação consiste em que morrerá como um grão de trigo?

Submergindo no Mistério de nossa Salvação, tudo será renovado. A morte vai adquirir um novo significado, será uma morte frutífera; Deus será glorificado por sua morte porque irá transformá-la numa passagem luminosa para a Ressurreição. Porém, o Senhor realiza esta transformação atravessando a dor, as trevas e a solidão que a morte contém em suas entranhas.

Todas as palavras que o Senhor dirige à multidão são pouco compreensíveis. Como pode ser que um dos elementos mais repulsivos da época, o elemento de tortura por excelência que utilizavam os romanos, a cruz, seja transformado pelo Senhor, com sua presença, num polo de atração para Ele?

“Eu, quando for erguido no alto sobre a terra, atrairei todos a Mim”. Dizia isto para significar de que morte iria morrer. (Jo 12, 32)

Nas palavras finais do Evangelho o Senhor vai se distanciando lentamente da multidão até ocultar-se dela. A sua vida pública vai chegando ao seu fim. A hora da glória só será compartilhada na intimidade por alguns poucos. A maioria dos que o recebem como rei, pedirão que seja crucificado. O aparente êxito em Jerusalém, será transformado no aparente fracasso nos dias que virão.

Tudo pode ser novo nesta semana que começa, se não abandonarmos o Senhor porque, é a partir de suas ações, e não de nossos pensamentos, que cada coisa terá um novo olhar. A resposta está em atender à proposta que o Senhor nos faz no Evangelho: Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará. (Jo 12, 26).

Seguir o Senhor para estar com Ele, para servi-Lo, fazer um silêncio profundo sobre nossas necessidades, sobre nossos pensamentos, sobre nossos sentimentos, sobre nossas opiniões. Estar atentos aos acontecimentos sem a interferência do nosso eu. Um silêncio receptivo: somente a ação de Deus, seus atos, suas palavras, seu silêncio. Podemos repetir ao longo destes dias uma pequena oração “Não eu, Senhor, somente Tu”.

E, ao mesmo tempo, com o olhar posto somente n’Ele, pedir-Lhe que nos revele as traições, as negações, a covardia e a indiferença que guardamos em nosso coração, defesas que impedem sua presença redentora em nós. Quiçá comece nosso caminho rumo à verdadeira conversão.

Irmãos e irmãs, acompanhemos Jesus na sua Paixão e morte, pressentindo já a glória da Ressurreição reservada a cada um de nós. Feliz Páscoa!

PARA REFLETIR:

1-Em que situações da nossa vida nós também aclamamos Jesus e depois o condenamos a morrer em nós?

2-Como você vive a Semana Santa: como dias de feriado ou acompanhando o mistério da morte e ressurreição do Senhor?

3-Você alcançou algum fruto nesta quaresma?