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A VIDA É DOM DE DEUS (Gn 1, 24-31)

O nosso planeta e todo o universo foi entregue ao homem e à mulher para ser utilizado com sabedoria. A Terra, nossa casa comum, oferece-nos mais do que o suficiente para que todos, sem esquecer de ninguém, tenhamos a vida e vivamos com dignidade. A Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema a “Fraternidade e a vida no planeta” e o lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8, 19-22). A escolha deste tema visa reforçar a consciência sobre as mudanças climáticas que estão acontecendo, as suas causas e o cuidado e respeito que devemos ter com o Planeta Terra, a nossa casa.

Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem deve cooperar com Ele no aperfeiçoamento da criação e imprimir, por sua vez, na terra, o cunho espiritual que ele próprio recebeu.

Por muitos séculos a ação do ser humano em relação ao Planeta Terra foi marcada pelo desrespeito. O homem não via a terra como parte da sua existência, mas como um objeto a ser dominado e espoliado. Entre o cuidado com o Planeta, as vidas nele contidas, e a ganância, ficava-se com a ganância...

1. O QUE ESTA ACONTECENDO COM O NOSSO PLANETA (casa de todos)?
O aquecimento global está ocorrendo em função do aumento da emissão de gases poluentes, principalmente os derivados da queima de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, etc) na atmosfera. Estes gases formam uma camada de poluentes de difícil dispersão, causando o famoso efeito estufa.

Além disso, o desmatamento e a queimada de florestas e matas também colaboram para este processo. Os raios de sol atingem o solo e irradiam calor na atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta a dispersão do calor, o resultado é o aumento da temperatura global. Ainda que este fenômeno ocorra com mais intensidade nas grandes cidades, o desequilíbrio vai atingindo conseqüências em nível global.

2. O QUE OS CRISTÃOS TEM A VER COM ISSO?
Precisamos partir do conceito de fraternidade, pois todos os anos, na quaresma, a igreja apresenta uma proposta de conversão das pessoas para a fraternidade.

Ao anunciar a presença de Deus no mundo, Jesus revelou que o amor do Pai se estende a todas as pessoas, sem exceção. A partir de Jesus, não existem mais estranhos entre nós. Os judeus esperavam que o Messias só tivesse tempo e atenção para eles; porém, ao anunciar o Reino, Jesus o faz a todos e todas, sem excluir ninguém. Eu posso nunca ter saído da minha cidade, e, portanto, conhecer pouca gente. Ainda assim todos são meus irmãos e irmãs, mesmo que morem na Ásia ou na África. Onde está uma pessoa, lá está alguém da “minha família”, da família humana. O impacto do que faço aqui, não se limita ao meu território, minha casa, mas tem dimensões globais.

Isso tem tudo a ver com as nossas células de evangelização. O “outro”, o “desconhecido” também é meu irmão. Nós moramos todos na mesma casa, o planeta terra, e todos tem o direito de receber a boa notícia do evangelho, de viver com dignidade e ao mesmo tempo todos tem o dever de colaborar para a manutenção desta casa.

3. O QUE PODEMOS FAZER?
Nós, cristãos, temos o dever de auxiliar o mundo a libertar-se do egoísmo, do orgulho e das rivalidades, a ultrapassar as ambições e injustiças, a permitir a todos o acesso a uma vida mais humana, onde cada um seja amado e ajudado como próximo, como irmão. Devemos olhar para as nossas próprias atitudes, ainda que aparentemente pequenas e questioná-las: não podemos calar diante do lixo que jogamos em qualquer lugar, do consumismo que nos faz usar o que não precisamos, das árvores que derrubamos e daquelas que não plantamos, dos animais que levamos à extinção, de tantos detritos que espalhamos irresponsavelmente nas ruas e nos rios, dos abusos que cometemos diante da nossa saúde e da do próximo.

Porque queremos ter cada vez mais, violentamos a natureza, fazemos com que ela adoeça, e não raro, seja mortalmente ferida. O que nos foi dado como bênção está se tornando uma maldição, não pela vontade divina, mas sim pela nossa ânsia de possuir além do necessário. A natureza ameaçada, como qualquer outro ser vivo, se defende, reage. Temos visto isso no excesso ou na falta de chuvas, no desequilíbrio das estações, na desertificação de imensas áreas do planeta.

Diante do sofrimento da natureza, Jesus nos convoca a cuidar da integridade da criação, não apenas para defender a terra, a água e o ar como dons da criação, mas sobretudo para proteger o homem da destruição de si mesmo.
Este é o tempo oportuno para voltar para o Senhor, cuidando da casa que é de todos e de todos os seus habitantes, que em nome de Jesus, se constituem irmãos. Celebrar a quaresma é muito mais que observar ritos externos. É atitude, coerência com o Espírito e o desejo interior de renovação da nossa fé e da nossa vida cristã.

PARA REFLETIR:
1- Em nossos meios, quais os sinais mais aparentes do desrespeito com a criação de Deus?
2- Que atitudes pessoais você precisa mudar para cuidar melhor da nossa casa, a Terra?
3- Que iniciativas a nossa célula pode tomar no sentido de cuidar mais e melhor da “casa de todos” – o planeta - e dos moradores desta casa – “todas as pessoas”?

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