Estudo Semanal
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A ORAÇÃO HUMANIZA E REVELA A VONTADE DO PAI  (Lc 22,39-46)

Queridos irmãos e irmãs,

A nossa vida de fé continuamente nos leva a refletir, questionar e intensificar a nossa oração. Muitos, na busca de encontrar um oásis de paz no meio das agitações do mundo, tem buscado experiências de oração de diversas formas diferentes, mas é preciso cuidar para que a nossa oração não nos leve à alienação e à fuga do mundo.

Orar nos humaniza, sim, mas não qualquer tipo de oração. A questão essencial não é orar ou não orar, mas que tipo de oração praticar. Muitos tipos de oração, às vezes, só transferem para Deus responsabilidades que são nossas... Lucas nos revela um Jesus orante, que cultiva a intimidade com o Pai pela oração. Jesus se prepara, por meio da oração, para um encontro face a face, olho a olho, com o Pai, com os outros e consigo mesmo. Uma oração libertadora leva-nos ao mais profundo de nós mesmos, lá onde as palavras se calam e a voz de Deus se faz ouvir como apelo e desafio.

APRENDENDO COM O MESTRE

Uma das atitudes fundamentais do seguimento de Jesus é precisamente a contínua comunicação com Deus, mistério de amor que nos envolve.

Jesus ora nos momentos mais importantes da sua vida. A ênfase na oração aparece desde a primeira narrativa do evangelho de Lucas (1,10-11.13). Ele fala da eficácia da oração na vida das pessoas que perseveram na oração (Lc 19,6-8). Ao receber o batismo, Jesus encontrava-se em oração (Lc 3,21); sua fama se difundia e ele se retirava em oração (Lc 5,16). “Antes de escolher os doze, retirou-se em oração toda a noite” (Lc 6,12). Em oração perguntou aos discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” (Lc 9,18). “Subiu ao monte para orar acompanhado” (Lc 8,28). O modo de orar de Jesus seduzia e cativava os discípulos que lhe pediam: “Ensina-nos a rezar!” (Lc 11,1). Para mostrar a necessidade de orar sempre (Lc 18,3), Jesus contou a parábola da viúva que clamava por justiça ao juiz. Jesus rezou por Pedro para que a fé deste não desfalecesse (Lc 22,32). “Dobrando os joelhos orava” (Lc 22,41). E tantas outras vezes encontramos Jesus em oração...

Lucas revela também as circunstâncias em que Jesus reza: sozinho, na montanha, "como de costume" (Lc 22,39). O evangelista narra que Jesus se retirava frequentemente para orar. Os discípulos(as) de Jesus são convidados(as) a rezar o Pai-nosso (Lc 11,1), a perseverar na oração (Lc 18,1ss; 21,36), a rezar com fé e com a familiaridade de um amigo (11,9-13), com a convicção de alcançar o que pedem; na luta pela justiça (Lc l8,1-8), com a humildade do publicano (Lc 19,9-14), a confiança do filho que abandonou o Pai (Lc 15,21) e com a consciência de Pedro que se sente pecador (Lc 5,8).

PARA QUE ORAR?

Intuímos que seja para dilatar o coração e ser capaz de amar como Jesus amou. Amar não apenas por quem nos ama, mas adquirir a capacidade da mãe que ama irrestritamente o filho deficiente ou o filho que está mergulhado no crime. Amar, inclusive, o inimigo, aquele de quem você não pode esperar nada de bom como recompensa.

Uma oração verdadeira leva-nos ao coração da vida, habilita-nos a ouvir o inaudível. É imprescindível aprendermos a ouvir o coração (e estômago, pés, mãos...) das pessoas, seus sentimentos mudos, os medos inconfessos e as queixas silenciosas. Entender o que está errado e atender às suas reais necessidades contribuindo para que percebam a íntima relação existente entre tudo.

Segundo o livro de Atos dos Apóstolos, uma das colunas mestras que sustentavam a vida das primeiras comunidades cristãs era a oração. Oravam comunitariamente (At 12,12) e cultivavam um novo ambiente na vida em comum. Perseveravam na oração (At 1,14; 2,42; 6,4; 10,2) nas casas, no templo (At 3,1), às margens do rio (At 16,13), na praia (At 21,5) etc. Todas as grandes decisões e experiências desta comunidade eram feitas sob a luz da oração.

De Dom Pedro Casaldáliga aprendemos: “Impossível ser pessoa cristã sem rezar/orar pelo menos trinta minutos por dia”. Mas uma oração que nos faça mais humanos, mais solidários e comprometidos com a causa dos oprimidos. Não uma oração que tranquiliza a consciência e repassa para Deus a tarefa que é nossa. Pensemos nisso.

PARA REFLETIR:

1- Sua oração te leva a olhar nas três direções: para Deus, para si mesmo e para o próximo?
2- As decisões da sua vida são tomadas à luz da oração? A oração sustenta a sua evangelização?
3- O que a reflexão de hoje te leva a realizar na sua vida de fé?