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A opção de ser cristão (At 9,26-28)

Queridos irmãos e irmãs,

Somos um país cristão católico, marcado pela religiosidade devocional, fomos catequizados, sacramentados e doutrinados, na maioria das vezes sem nenhum processo de continuidade na evangelização. Temos fé, mas não está plenamente enraizada na mística cristã; é ainda superficial. É preciso possibilitar um processo de maturidade da fé, uma “nova ou 2ª evangelização”, é urgente evangelizar os batizados, e possibilitar-lhes a experiência do encontro pessoal com o Cristo ressuscitado, não só para estar com Ele, mas para conhecê-lo, não apenas um conhecimento racional, mas um conhecer do coração, sobretudo para saber o que fazer com o que Ele nos ensinou, e assim assumir junto com toda a Igreja o desafio de anunciar e testemunhar a força salvadora do Evangelho.

Muitos escolhem ser cristãos, mais poucos fazem a opção de viver o Cristianismo no mundo. Receber os sacramentos nos torna “cristãos de estatística”, não necessariamente cristãos de fato. A recepção dos sacramentos deve ser o coroamento de uma cuidadosa Evangelização que produz uma verdadeira renovação de Espírito, que forma homens e mulheres renovados no espírito de Cristo, renovação que produz um “novo” convertido.

Aquele que deseja tornar-se cristão não se inicia em um mistério qualquer, mas no mistério Pascal de Cristo. Nem em qualquer deus, senão no Deus de Jesus Cristo. Não assume qualquer tipo de vida, mas a vida nova no Espírito.  Portanto, daquele que se inicia exige-se atitude evangélica, participação ativa, adesão a Cristo e à Igreja. A Iniciação cristã proporciona condições para que possa viver como filho de Deus e ser integrado numa comunidade que o acolhe como membro (batismo), o orienta para o testemunho responsável de vida (crisma) e o nutre com o pão da palavra e da vida eterna (eucaristia).

É importante lembrar que conversão é um processo permanente no Cristo Ressuscitado, de forma que estes adultos, jovens e crianças marquem presença no mundo e façam história numa sociedade fragilizada por ausência de paradigmas, carente de autênticos e verdadeiros valores que deem sentido à vida. Nesse processo, cada um precisa ser acompanhado e toda comunidade cristã é chamada a este acompanhamento, como irmãos mais velhos que vão conduzindo os mais novos.

Não podemos mais fazer de conta que está tudo certo, fingir que não vemos o que está às claras, ou seja, não podemos batizar nossos filhos na Igreja, apenas porque todos batizam, sem comprometimento com a Igreja e sem proposta firme de seguir Cristo, ou simplesmente fazer a primeira eucaristia e crisma porque assim dispõe a Igreja, como papagaios que falam (fazem) o que os outros fazem (falam), sem saber o porquê do que fazem, só como eventos sociais.

A catequese não deve ser preparação para o sacramento, mas preparação para o encontro com Jesus. Quem neste caminho encontrou o Senhor na experiência da Palavra de Deus, na oração diária, na ação litúrgica, na vida comunitária, na caridade e deixou-se afetar por Ele terá sua vida comprometida com Cristo. Este deverá ser um encontro tão envolvente, atraente e marcante que levará a pessoa a colocar um novo horizonte para a sua vida e adquirir o gosto pela identidade cristã: a aprendizagem da vida de Cristo e da Igreja, o despertar da paixão pelo Reino, uma presença ativa na comunidade e na sociedade, um testemunho de vida e das obras de caridade.

Uma catequese que prepare para a vida cristã e não para o sacramento há de gerar verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo. E estes serão homens e mulheres firmes na fé, enraizados em Cristo, que não se deixarão levar por qualquer dificuldade, por qualquer vento contrário.

PARA REFLETIR:

1- Você entende a diferença entre a catequese para os sacramentos e a iniciação à vida cristã?

2-Que sinais, gestos e atitudes devem marcar a vida de um cristão?

3-Que semelhanças há entre o processo de iniciação à vida cristã e as células de evangelização?

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