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VIVER O AMOR E A JUSTIÇA (Lc 6,20-26)

Queridos irmãos e irmãs,

Na semana passada refletimos sobre a visita de Maria a Isabel, duas mães que celebram a visita de Deus no meio do seu povo. Agora vamos nos deter no texto das bem-aventuranças, lembrando sempre que a Igreja não pode esquecer sua opção pelos pobres, sob o risco de esquecer o próprio evangelho.

A leitura de hoje pode ser considerada uma advertência contra a acumulação e o descompromisso com os pobres, dirigido aos seguidores e seguidoras de Jesus. Este discurso apresenta uma série de ensinamentos sobre as práticas essenciais dos seguidores da palavra e da ação de Jesus de Nazaré:

- O pobre e perseguido em nome de Jesus deve ser sujeito e promotor da construção do Reino de Deus;
- O rico apegado pelos bens do “mundo do dinheiro” deve converter-se e aderir à solidariedade, preocupando-se com os outros;
- O cristão é chamado a viver a gratuidade, a vivenciar o perdão;
- O cristão deve ser fiel aos ensinamentos de Jesus.

AS BEM-AVENTURANÇAS E AS MALDIÇÕES

Lucas acrescenta às quatro bem-aventuranças dos pobres, quatro maldições aos ricos, condenando a divisão socioeconômica entre pobreza e riqueza. A bem-aventurança dos pobres não significa a exaltação de sua condição precária e sofrida, mas um convite de Jesus para que os pobres promovam o Reino de Deus, como sujeitos da nova sociedade de justiça e solidariedade. O anúncio da bem-aventurança não é uma simples promessa em vista do futuro: “os pobres vão descansar no céu”. Nada disso! É, sim, uma convocação urgente para uma ação transformadora do mundo do acúmulo e da injustiça, feita com a força da solidariedade e da partilha daqueles que aprenderam com Jesus.

Não é possível abençoar o pobre sem libertá-lo da pobreza. Não é possível libertar o pobre da pobreza sem denunciar o rico para libertá-lo da riqueza. Muitos são os que se consideram merecedores de méritos, dos primeiros lugares, da saúde, da honra, do melhor emprego. Acham que Deus deve servi-los segundo o seu merecimento. Consomem sua vida acumulando, incapazes da partilha, escravos das suas posses.

POR QUE JESUS  APRESENTA OS POBRES COMO FELIZES?

A razão está  na  nova maneira de  Jesus  apresentar  o  Seu Deus e  nosso  Deus. O Deus revelado por Jesus é  pobre,  manso,   misericordioso,  sofre  com  a  aflição  dos  Seus filhos, caminha junto com os seus. Ele viveu no meio de nós e se identifica com todos  os  homens  e  mulheres   que por quaisquer razões estão sujeitos  à infelicidade. Jesus os traz consigo e por isso são bem-aventurados, porque pertencem ao Reino e podem ter a certeza de que Jesus conhece suas dores e deseja cuidar de todas elas.

Mas é importante falar que somente a pobreza material não é redentora por si, porque  mesmo contando com a graça e a bondade de Deus, o coração daqueles que nada possuem pode estar endurecido... cheio de cobiça pela posse das coisas, esquecendo-se de Deus.

A pobreza que devemos desejar em nosso coração, a bem aventurança, a felicidade, é a humildade de reconhecer que nada nos pertence, tudo o que temos, que recebemos, que conquistamos, é graça de Deus.
Bem aventurado é aquele cujas mãos que recebem sabem abrir-se para partilhar.

PARA REFLETIR:

1- Como seguimos o caminho indicado por Jesus segundo o Evangelho de Lucas, que exige a partilha e a solidariedade?

2- Quais as mudanças sociais que precisamos realizar hoje, e como cada um de nós pode contribuir a partir da realidade onde vive ou trabalha?

3- Quem são os bem-aventurados de nossa sociedade e quem estaria no alvo das “maldições”?

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