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A HUMANIDADE DE JESUS (Jo 11,32-36)

(O que este texto diz para nós?)

Queridos irmãos e irmãs,

O Evangelho de João, em comparação com os evangelhos sinóticos (Mt, Mc, Lc), destaca a soberania e a divindade de Jesus. Mas, ao mesmo tempo, procura descrever a Sua humanidade: Ele é o Verbo encarnado, o filho de José, de Nazaré, que age na história e na vida cotidiana do povo da Galileia, onde conviveu no meio do povo, pregando, atuando e andando de uma aldeia a outra, convivendo com os pobres, empobrecidos e excluídos. 

O episódio da ressurreição de Lázaro, apesar de ser marcado pela ação libertadora e pela soberania de Jesus, traz à tona a memória da vida de Jesus com seus seguidores e seguidoras, representados por Lázaro, Marta e Maria.

Diante da fragilidade da existência humana – a morte -, Jesus chora sozinho ao ver o túmulo. O sentimento de perda! A vida ensina e faz o ser humano crescer... Assim foi a vida do homem Jesus de Nazaré.

A descrição da humanidade de Jesus tem sua importância na comunidade joanina, porque ela sofre com o movimento da “gnose”, um movimento de influência grega que separa o humano do divino, a terra do céu. Eles queriam obter a salvação somente pelo conhecimento da divindade de Cristo Jesus – o Verbo encarnado – e chegam a ponto de negar sua humanidade. Pregam um Jesus divino e soberano, desprezando a palavra e a prática de Jesus nazareno em sua existência humana: Ele é carne!

Por isso Evangelho de João usa o termo “conhecer” no sentido existencial (em Jo 14,4-17; 17,20-26; 2Jo 1-2). Nesse evangelho, o conhecimento não provém de um exercício puramente intelectual, espiritual e elitista, mas da experiência e da convivência humana. O verdadeiro conhecimento do amor de Deus é conhecer e praticar o amor de Jesus em suas palavras e seus atos: “Eu sou o bom pastor: conheço minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai, e exponho a minha vida pelas ovelhas” (Jo 10,14-15).

Os atos, ensinamentos, ditos e parábolas de Jesus estavam enraizados em sua experiência da vida camponesa da sua terra, sobretudo, nas instruções sapienciais decorrentes das preocupações e angústias cotidianas dos pobres da Galileia. Sua divindade se manifesta dentro da realidade dos homens e mulheres do seu tempo, no cuidado das suas dores e sofrimentos.

Hoje, como ontem, podemos constatar a existência de muitos movimentos cristãos que acentuam o Jesus divino e glorioso, menosprezando o Jesus humano, o Verbo encarnado na história. Quem confessa e segue Cristo Jesus, bom pastor, como um dos caminhos para construir o Reino de Deus é chamado a praticar as palavras e os atos de Jesus de Nazaré nas atividades cotidianas: conscientizar e promover a vida; ser solidário com os mais desprezados e rejeitados pelos poderes do mundo, seduzidos pela ambição desenfreada de bens, poder, prazer e honra que promove a morte: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6)

(baseado no subsidio Vida Pastoral set/out 2015 p. 22)

PARA REFLETIR:
1-Em que situações de hoje sentimos mais falta das ações e palavras de Jesus?

2- Quais são os exemplos concretos da sua vida em que você pratica os atos de Jesus?