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OBRAS DE MISERICÓRDIA ESPIRITUAIS – ACONSELHAR OS INDECISOS (Jo 3,1-8)

Caros irmãos e irmãs,

Por ocasião da abertura da porta do Ano Santo em nossa Região Santana, D. Sergio nos provocou ao questionar a nossa coragem de pedir ao Pai por algo que não somos capazes de oferecer. Quem de nós não quer alcançar a misericórdia de Deus? E quem de nós está disposto a exercer a misericórdia com o próximo?

Este ano de forte apelo à misericórdia deve nos orientar no desejo de alcançar o fruto da unidade profunda entre a fé e a caridade. Está em jogo nossa capacidade de reaprender a caridade, exercida na prática das obras de misericórdia. Ainda é de D. Sergio a sugestão de que a cada mês nos propuséssemos à prática de uma obra de misericórdia espiritual e uma material. Começaremos, então.

Com certeza, as sete Obras de misericórdia espirituais encontram-se semeadas em toda a Bíblia. Neste evangelho lemos como Jesus exerceu sua misericórdia afastando as dúvidas de Nicodemos. Ele se aproximou de Jesus, de noite, (noite do tempo e noite da dúvida) e expõem a Jesus seus problemas de consciência e os resolveu! E acreditou a ponto de seguir a Jesus até o fim, até o Calvário. “Nicodemos, aquele que anteriormente procurava Jesus à noite, também veio, trazendo cerca de cem libras e uma mistura de mirra e aloés” (Jo 19,39). Frutos do bom conselho...

Quem são os indecisos? São aqueles que estão parados diante de hipóteses, desvios... não sabem qual caminho é que leve para casa, para a vida... não sabem para onde andar. Isto pode acontecer aos adolescentes quando se encontram frente às primeiras decisões a serem tomadas, faltando ainda experiência da vida; pode acontecer a pessoas cansadas, deprimidas, atribuladas; pode acontecer a quem deve tomar decisões de consequências importantes e graves.

O que significa “aconselhar os indecisos”? Não significa administrar conselhos ou receitas prontas. Serve pouco dar conselho, ou receber, pois, de fato, cada qual age segundo sua “cabeça-feita”. Em meio ao fenômeno moderno de uma religião individualizada, não é fácil acreditar no outro perante a desconfiança ou o medo de que o outro... descubra nossos segredos.

Quem vive da fé e com fé pode acender luzes preciosas, contidas na Palavra de Deus: “Tua palavra, Senhor, é luz para meus passos”. Mas não é fácil encontrar quem esteja disposto a escutar com atenção, respeito e discrição: e é aqui que se abre espaço pra a prática da “obra de misericórdia”.

Aconselhar o irmão que vive em dúvidas significa concretizar um ato de fraternidade, no amor; não é justo abandonar o irmão na escuridão de ideias e pensamentos incertos. O Senhor que vive dentro de mim, é Ele quem escuta-nos como um Pai: nos dá conselhos com mensagens cheias de luz que sai do interior da alma: suas palavras, suas inspirações movem os acontecimentos da vida. Os conselhos do Senhor são justos, vigorosos e orientam como os “faróis dos navegantes” e no mesmo tempo, são conselhos que nos deixam livres na opção, assumindo nós mesmos a responsabilidade.

Como podemos exercer esta obra de misericórdia espiritual? Para os pais, pondo à disposição tempo e atenção para escutar seus filhos com seus problemas de vida, de escola, de amigos, sem cair em moralismos estéreis. Para os professores: considerando seus alunos não como gente que simplesmente deve fazer as lições, mas como gente do futuro, que tem seus problemas e crises e precisam confiar em alguém e confrontar-se com a experiência do outro. Para os amigos: não só escutar, mas marcar presença especialmente nas horas mais difíceis. Aconselhar os duvidosos pode significar a vontade de parar um pouco e esperar o “outro” que atrasou ou perdeu o caminho e experimentou enganos. Caridade é oferecer orientação segura para que a pessoa prossiga pelo caminho do bem e da virtude.

PARA REFLETIR:

1-Que tipo de consciência marca os conselhos que ouvimos do “mundo”? Partilhe uma experiência.

2-Segundo esta reflexão, qual deve ser a característica do nosso jeito de ouvir e aconselhar?